Sobre correr riscos
Sempre fui alguém que prefere riscos à inércia. Desde a infância quando gostava de subir na grade do muro de casa e fingir que escalava prédios, mesmo com medo de altura. Na adolescência gostava de alugar filme adulto escondida pelo simples fato de poder fazer e não necessariamente por que queria aquilo. Era o risco, se eu nunca tentasse nunca saberia se conseguiria, creio que isso norteou minha vida e me fez mais corajosa diante as dificuldades.
Penso, quantas vezes poderia ter me mantido na minha área de conforto e não o fiz pq eu queria, não! melhor! Eu precisava saber se daria certo, necessitava tentar, seguir em frente. Uma das várias tatuagens que tenho no braço é uma frase de uma música que adoro, que diz “i’ll never look back i’ll never give up”, nunca olhe pra trás, nunca desista”. Sim, eu poderia ter me conformado com a vida ligeiramente fácil que eu poderia ter tido, mas escolhi abdicar de uma parte de meus privilégios. Digo parte, pois apesar de ser mulher, lésbica e ter sido criada no norte e nordeste do pais (sim, já sofri preconceito por isso), ainda sim sou branca e de classe média, tive oportunidade de ter uma boa educação.
Mas as escolhas não estão somente relacionadas com o que você vai fazer com o seu lugar na sociedade, mas também com o que você escolhe fazer com seus sentimentos. Do mesmo jeito, sempre preferi o movimento dos amores, mesmo que não correspondidos, platônicos e doloridos. Resolvi nunca me privar do que poderia me trazer boas coisas, e acho que isso a gente vai aprendendo aos poucos, a não se tolir, não se menosprezar, e perguntar “Por que não?” pra si mesmo. A vida é isso, é tentar, cair, levantar e escolher correr novamente em direção ao horizonte que você não sabe o que pode encontrar, mas está ali, diante de você. O melhor da vida é tentar, é estar em movimento. É amar loucamente, é viajar mesmo sem dinheiro, é beber tequila mesmo sabendo que você vai acordar com uma puta dor de cabeça e amnésia alcóolica.
Se a inércia fosse tão boa assim, nosso planeta não faria dois tipos de movimentos. Então você escolhe, entre viver ou somente existir.