O que beleza e raça têm a ver com jornalismo?
Bruna Talarico
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bruna, eu também trabalhei em um portal e, por ver como era a recepção dos leitores a matérias mais densas e fora do padrão caça clique, digo que vai ser difícil a gente quebrar esse ciclo vicioso. eu via que, por mais que os jornalistas se esforçassem pra caralho pra entregar matérias completas, com conteúdo audiovisual bem feito e discussões realmente relevantes, o relatório dizia que a matéria com mais engajamento era a nota de 2 parágrafos que o cara demorou 2 minutos pra escrever sobre o justin bieber de cueca branca (ou uma compilação de memes qualquer).

isso desestimula demais no geral, mas parando pra pensar um pouquinho, dá pra enxergar uma saída: investir em nichos e em segmentação de conteúdo pra eles. acredito que, do jeito que a internet é hoje, com esse volume imenso de conteúdo pra ser consumido em pouco tempo, é até ingênuo achar que o conteúdo mais refinado vá viralizar tão fácil no mainstream. se não é um material de fácil consumo, tem que começar a viralizar em um nicho específico.

eu, por exemplo, apoiei o projeto de vcs pela vontade de consumir um conteúdo que não é normal encontrar por aí. a gente às vezes solta um “ah, é que o povo não lê”, mas acho que o certo é pensar “nem todo mundo vai ler isso” ou “nem todo mundo vai consumir nesse formato” e direcionar os esforços pra o público que está disposto a consumir. isso eu tô falando pensando em projetos como o de vcs, não com a cabeça de quem tá gerindo um portal, pq imagino que eles vão demorar muito pra sair da fórmula caça clique, agora que descobriram o que dá “certo” nesse novo mundo.

seu questionamento é muito válido, mas não acho o problema da não viralização (no caso de vcs) seja relacionado a raça ou beleza dos personagens, mas mais pelo formato escolhido e direcionamento da ativação desse conteúdo. aí acho que cabe testar mais formatos de fácil consumo para envolver leitores que não vão comprar o projeto direto por um texto mais denso. às vezes a gente começa a conquistar com um hyperlapse ou boomerang no instagram, um gif no twitter ou um textão no facebook com um call to action foda, e depois a pessoa já se mostra mais disposta a consumir o conteúdo mais completo. tem que pensar também na segmentação dos investimentos em mídia que vcs fizeram, rever se a base de fãs das redes de vocês tem mesmo essas pessoas que vão consumir isso e se não seria legal ativar o material com parcerias em outros canais, que tragam pessoas que não achariam tão fácil o conteúdo de vcs só com a ativação orgânica.

ah, e não é ruim desistir de um canal que não está rendendo da forma que vcs esperam e focar nos que apresentam uma possibilidade maior de crescimento e interação. conteúdo é tentativa e erro e o de vcs é bom demais pra não se espalhar por aí com a rapidez que a gente espera.

espero não ter viajado demais na batatinha hehehehe

um beijo o/

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