18/05/2011 (postado em um blog antigo) — Ele é um cretino. Um galinha. Mas ele me ensinou que algumas histórias de amor não duram pra sempre, e nem por isso se tornam tristes ou inacabadas. Era bom enquanto durava, era doce, fez meu inverno mais quente. A gente tinha certa camaradagem, certa liberdade de falar sobre o mundo. A gente tinha duas vidas então, a nossa vida separados e a nossa vida juntos. E a única que me importava era a nossa vida em conjunto, aquela vida breve, que passava rápido e tinha de cenário o cotidiano das diferenças das pessoas que vão e vêm. O resto pouco me importava. Mas acabou. E acabou da mesma forma que começou, devagar, de leve, compreensivelmente. Acabou antes que pesasse, antes que a rotina sem compromisso se tornasse uma cobrança sem sentido. Acabou na hora certa, de modo a deixar permanecer as marcas das mordidas e o gosto dos beijos. Deixou a saudade do sorriso, do cheiro e da voz. Uma nostalgia boa de se ter, que desenha um sorriso no rosto da gente, cheio de sensações antigas.
04/04/2016 — Ele não é mais um cretino. Talvez nunca tenha sido, talvez fossem apenas projeções do meu coração incapaz de criar vínculos buscando motivos para fugir.
Acontece que ele também não é mais o mesmo: um pouco mais de loucura, alguns monstros e muito amor. Mas o sorriso, o cheiro e a voz continuam iguais, lembrando o tempo todo daquilo que foi e daquilo que não foi.
Embora bonito mesmo seja tudo aquilo que é.