Hache

Com meus pés fincados no chão, me imaginei correndo até ti. Chegando na tua frente esbaforida, segurando tua cabeça e implorando pra me escutar. Eu estaria ofegante, agitada e piscando sem parar. Mas quando encontrasse teus olhos calmos, eu moveria meus lábios lentamente e te diria: te quero bem.

Mas meus pés continuam fincados no chão, perto o suficiente pra sentir o teu calor. E como se assaltasses os meus pensamentos, tu te viras e me abraças, desfazendo todos os meus medos.

Abraçada no meu travesseiro, me imaginei rolando até ti. Te segurando pela barba e, então, te beijando. Mas quando eu abrisse meus olhos e percebesse tua confusão e insegurança, eu moveria meus lábios lentamente e te diria: te quero bem.

Mas eu continuo no meu travesseiro, perto o suficiente pra sentir a tua respiração. E como se assaltasses meus pensamentos, tu acordas e me fazes um cafuné, desfazendo todos os meus medos.

Não sei, na verdade, se os medos são teus ou meus. Se a vontade é minha, tua ou nossa. Mas eu sei que o carinho é real e que estamos aqui um para o outro.

Talvez eu tenha medo de dizer que vou estar ao teu lado, da forma que for. Talvez eu prefira não dizer nada e somente ficar aqui, cuidando de ti. No final, tu ficas ao meu lado também, com o teu sorriso enorme que acalma a minha alma. Então, nós podemos permanecer um no outro, nesse nosso jeito leve de sermos nós. Sem ser.

O Universo já sabe, já nos descobriu. Meus lábios não precisam mais se mover; o ritmo dos meus passos já dizem: te quero bem.