Que?

sinto, nestes exatos minutos, um nó na garganta e uma ardência dentro da minha testa. eu mesma criei os motivos. “eu” não existe nesse caso. acredito que estou escancarada e a minha alma está cada vez mais recebendo as emissões dos universos, ou cérebros, que existem em minha volta. pensamentos súbitos surgem aqui sem o menor controle. não vejo sentido se isso tudo vier apenas de mim. sei que há um diálogo cada vez mais íntimo entre mim e os acontecimentos constantes que ocorrem a cada momento no meu mundo. o meu mundo se compõe, obviamente, pelas imagens e sons que os dias me jogam. em off, acabo de perceber que até uma lágrima possui a autonomia de não se deixar cair. lembrei que uma coisa me incomoda: estou apaixonada há exatos trezentos e cinquenta e quatro dias, pela mesma pessoa. não reconheço o porquê de eu me envergonhar por amar. mas reconheço que isso é quase um pecado universal. é como se eu não merecesse reciprocidade, mas sim ficar sozinha. que dor. o medo de sofrer antecipa o meu sofrimento e o meu coração tentou se suicidar assim que viu algo arriscado se aproximar. provavelmente está ouvindo sigur rós.