Amamentação Prolongada
Aline Teixeira
O leite materno é o melhor alimento que um bebê pode receber nos seus primeiros anos de vida. Ele é um alimento completo e ideal para o bebê, pois contém todos os nutrientes em quantidades adequadas, proporciona ótimo crescimento, é de fácil digestão, fornece água para hidratação, protege contra infecções e alergias.
O aleitamento materno não é apenas a melhor estratégia de nutrição e proteção para o bebê. É também super importante para a formação de vínculo e afeto, além de ser eficaz intervenção para redução da morbimortalidade infantil. Permite ainda grandiosos benefícios na promoção da saúde integral da dupla mãe-bebê.
Apesar de todas as evidências científicas provando a superioridade da amamentação sobre outras formas de alimentar a criança pequena, e apesar dos esforços de diversos organismos nacionais e internacionais, as taxas de aleitamento materno no Brasil, em especial as de amamentação exclusiva, estão bastante aquém do recomendado.
A amamentação ainda é cercada de muitos mitos e polêmicas. Uma das grandes questões é a amamentação prolongada. Vários estudos sugerem que a duração da amamentação na espécie humana seja, em média, de dois a três anos, idade em que costuma ocorrer o desmame naturalmente.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam aleitamento materno exclusivo por seis meses e complementado até os dois anos ou mais. Não há vantagens em se iniciar os alimentos complementares antes dos seis meses, podendo, inclusive, haver prejuízos à saúde da criança. E no segundo ano de vida, o leite materno continua sendo importante fonte de nutrientes.
Muitas mulheres, com frequência, sentem-se pressionadas a desmamar, muitas vezes contra a sua vontade e sem ela e o bebê estarem prontos para tal. Existem vários mitos relacionados à amamentação prolongada, tais como as crenças de que aleitamento materno além do primeiro ano é danoso para a criança sob o ponto de vista psicológico, que uma criança jamais desmama por si própria, que a amamentação prolongada é um sinal de problema sexual ou necessidade materna e não da criança, e que a criança que mama fica muito dependente. Algumas mães, de fato, desmamam para promover a independência da criança. No entanto, é importante lembrar que o desmame provavelmente não vai mudar a personalidade da criança. Além disso, o desmame forçado pode gerar insegurança nela, o que dificulta o processo de independização.
Cabe a cada dupla mãe-bebê e sua família a decisão de manter a amamentação, até que a criança a abandone espontaneamente, ou interrompê-la em um determinado momento. A decisão da mãe deve ser respeitada e apoiada.
Fonte: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_nutricao_aleitamento_alimentacao.pdf

