Assembleia Geral dos estudantes vota por não ocupar a UFMA de Imperatriz

A Raposa, 19 de novembro 2016 | 00:20

Do total de estudantes de cada curso, poucos compareceram. Medicina, com 2 anos e sete meses de existência, sem laboratórios e prédio próprio, vota em peso contra aqueles que defendem uma universidade pública e inclusiva.

A assembleia realizada no auditório da UFMA Campus Centro de Imperatriz, às 19 horas desta quinta-feira, 17 de novembro, decidiu pela não ocupação do campus. O encontro marcado para deliberar se haveria ou não a ocupação no Campus de Imperatriz, contou com a presença dos cursos de Contábeis, Direito, Enfermagem, Engenharia de Alimentos, Jornalismo, Licenciatura em Ciências Humanas, Medicina e Pedagogia, totalizando 257 estudantes. Faltando somente a presença dos alunos de Licenciatura em Ciências Naturais.

Representantes apresentam o posicionamento de seus cursos

Luciana Sousa Bastos, do curso de Jornalismo, conduziu a assembleia e propôs à plenária que se fizesse presente cada representante por curso para compor a frente e assim apresentar o seu posicionamento. “Foi escolhido para ficar na frente de cada movimento as pessoas que já estavam participando das discussões, ou seja, que ajudaram na assembleia de seus cursos e por isso estavam aptos a falar o posicionamento do seu curso”, pondera Luciana.

“Tudo que é acordado e aprovado em assembleia é perfeitamente possível. Se os alunos dos cursos que estavam lá, indicaram eles e a plenária aprovou, ou não se opôs, pode sim”, explica Luciana sobre a escolha do representante na assembleia de quinta.

Em número de pessoas, o resultado soberano da assembleia ficou evidente pela forte presença dos alunos de Medicina, seguido de Licenciatura em Ciências Humanas, Contábeis, Direito, Jornalismo, Pedagogia, Enfermagem e Engenharia de Alimentos. Confira abaixo a relação da quantidade de alunos que estiveram presentes em assembleia e quantos alunos possuem os cursos (de acordo com o Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas — SIGAA):

Ausência de representatividade

No início da assembleia faltaram representantes dos cursos de Direito, Enfermagem e Engenharia de Alimentos para compor a mesa, portanto, um acadêmico de cada curso se voluntariou a ir à frente como representante. “No caso de Direito, não teve nenhum posicionamento do curso”, diz Luciana sobre Direito não ter realizado nenhuma assembleia de estudantes.

“O curso de Direito não realizou nenhuma assembleia deliberativa a respeito da ocupação, sendo a última assembleia do curso realizada em 2014. O posicionamento subentendido é de não apoio a ocupação, por parte dos estudantes e por parte dos professores, que continuarão dando aula, havendo o mínimo de condições para acontecerem”, diz Daísa Furtado Ferreira, acadêmica de Direito.

Direito e as dificuldades do curso

Um dos cursos mais antigos da UFMA de Imperatriz atualmente passa por dificuldades e seus problemas são deixados de lado, como a escassez de materiais e a falta de salas para turmas maiores. “A biblioteca conta com inúmeros livros, mas a maioria são desatualizados. O curso de Direito, que tem um aspecto muito mais teórico que prático, precisa principalmente de livros. A atualização da biblioteca não acompanha a atualização das leis. O problema de falta de sala ainda existe, pois oficialmente o nosso prédio é o de madeira, mas como algumas salas não apresentam condições, funcionamos também em algumas salas do prédio de Jornalismo”, relata Daísa.

A biblioteca da UFMA Campus Centro e outros Campi, sofrem cortes desde 2015, ano em que foi realizado o último pedido de livros para o acervo. “Desde o ano passado. Todo ano é feito um período de compra de material, durante esse período avisamos os alunos e professores. Só que ultimamente, a verba do governo está restrita, então por conta disso a compra só é efetuada em caso de necessidade. Nesse caso é aberto um pedido especial de compras para efetuar a aquisição”, conta a bibliotecária Nádia Luziane.

“Era normal, tinham duas verbas ao ano. Mas com o período de crise, as verbas para a educação foram cortadas. Antes ainda vinha um extra para ser feito a compra por aquisição, porque vinha o MEC com um pedido especial de livros. Eles mandavam, mas não compravam tudo, pelo menos dava pra comprar alguma coisa, hoje nem isso. E não é só a UFMA daqui, é a educação geral, todas as universidades federais estão passando por isso”, explica Nádia sobre os cortes na educação também afetar o acervo.