Dos sons da querida Atibaia

Em texto já publicado falei dos sons das madrugadas, das carrocinhas entregando pães e leite, nos anos 1950.

Tradicional em Atibaia, por conta da Matriz de São João Batista é o lindo toque do sino. Comunicador, anuncia as horas, chama a população para as missas, toca alegremente nas saídas das procissões. No século passado, o toque lento e triste anunciava os enterros que passavam pela igreja antes de seguirem para o cemitério.

Morávamos na Estação de Canedos, o trem da noite havia partido. Assim dormimos na casa dos amigos, Oscarlina Soares Leite, a Nina e José Silva Leite, o Zezico Leite, na rua Dr. Álvaro Correia Lima, muito próximo à Igreja de São João. Ouvi muitas badaladas… Badalava na época a cada hora durante o dia e a noite.

A Praça da Matriz, tão alterada em várias administrações municipais, acabou se tornando um espaço a permitir shows e concertos musicais. Vi músicos e maestros afinarem instrumentos, passarem o som antes do espetáculo e, juntos com a plateia, aguardarem encantados o toque final do sino.

Em setembro, neste ano de 2018, Pedro Cardoso, um comediante que no fundo é um intelectual, apresentou o monólogo “Auto Falante” no Clube Recreativo. Quando o sino começou a badalar o ator parou a peça e sua surpresa pelo inédito som foi demais! Atibaia é diferenciada, ainda preserva muito de condizente aos seus 353 anos, impressão que Pedro Cardoso certamente levou consigo para Portugal, onde reside. Admirou-se por estar apresentando sua peça num salão de baile, ou seja no Clube Recreativo Atibaiano, espaço raro, elegante e com a sonoridade de um sino a invadir seu espetáculo. Assim se manifestou ao público, que lotou o Recreativo.

Os sinos fazem história. Atibaia ainda possui esse toque, solene e elegante.