Poupem Meus Ovários!

Já passaram mais de seis meses desde que me mudei para Boston. Vim pra cá um pouco antes da famosa “Marcha das Mulheres” que aconteceu em várias cidades do mundo e reuniu um montão de gente. Eu também fui às ruas, mas meio que sem entender o que estava fazendo. Lá vi mães com suas filhas, mulheres apoiando a legalização do aborto, avós indignadas por ainda precisarem marchar pelos seus direitos.

Quem me conhece sabe que eu nunca fui militante, apoiadora, defensora de causa nenhuma. Mas fui me dar conta da importância de falar sobre o feminismo depois que eu participei da bendita marcha.

Como eu nunca reparei que a luta pela igualdade de direito entre homens e mulheres era também a minha luta? Pois é. Decidi que era hora de mudar.

Comecei a ler mais, a assistir palestras e a conversar com outras mulheres sobre o feminismo. Abri os olhos para o assunto e passei a notar que ele está cada vez mais na mídia, na cultura pop, nas empresas e nas conversas da mesa do bar. Feminismo está em todos os lugares.

Em meio ao turbilhão de informações, parei para pensar quantas vezes no meu dia sou tratada diferente por ser mulher. São comentários do tipo: “você não deveria trabalhar tanto, deixa isso para os homens”, “acho tão feio mulher que fala palavrão”, “tinha que ser uma mulher no volante!”, ou “tá falando sobre feminismo, vai lá queimar sutiã”.

Poupem meus ovários!

Gente, feminismo não tem nada a ver com queimar roupas íntimas, abolir o batom ou julgar as amigas que assistem as Kardashians. Também, não é um discurso de ódio contra os homens. Não existem inimigos no feminismo.

Feminismo é um movimento de ideias. É poder conversar sobre a desigualdade de direitos entre homem e mulher. É reconhecer que essa diferença existe e reinvindicar mudanças. Se você concorda, então bem-vinda ao lado feminista da força!

Mas infelizmente o preconceito e a falta de informação ainda fazem muitas pessoas serem clichês ao julgarem o assunto. Agora, imagina se nós ficássemos menos na defensiva e começássemos a falar ainda mais sobre o tema?

Então amiga, vem cá que eu tenho três ideias para você mudar essa conversa.

Leia mais

Você sabia que há 55 anos, brasileiras casadas só poderiam trabalhar fora de casa com a permissão do marido? E que, mesmo depois de todo esse tempo, hoje só 3% das 500 maiores empresas do mundo têm uma mulher como CEO?

Não tem como discutir feminismo se você não o conhece muito bem, não é mesmo?

Websites como os brasileiros AzMina e Think Olga, e os gringos Smart Girls, Feminsting são os meus favoritos. Dá uma olhada nas reportagens excelentes do Blogueiras Feministas. Tá no Instagram? Segue o @oursharedshelf para dicas de literatura compartilhadas por meninas do mundo todo.

Bate um papo com os homi

Acredito que homens podem ser feministas, mas se apropriar do título é o mesmo que tirar o protagonismo da mulher nessa luta. Esse lugar é nosso!

Mas eles podem sim ter um papel de suporte. Eu, Erica (oi!), acredito que a busca pela igualdade termina a partir do momento em que se contrói a falsa impressão de que homens não podem apoiar o feminismo. Apoio e solidariedade valem para todas as causas sociais.

E se aliados estão aqui para ajudar uns aos outros, por que não começar com você explicando aos nossos colegas um pouco da história por de trás do Dia da Mulher? Eu ainda me lembro do dia em que conversei com o meu marido sobre os impactos da cultura do estupro. E com o meu pai sobre a campanha Mamilo Livre.

Chama o pai, o irmão, o vizinho o marido ou crush pra uma conversa, respira fundo e manda bala. Você pode se surpreender.

Escreve sobre isso

Eu não planejava escrever esse artigo. Pra falar a verdade, tudo começou enquanto conversava com uma amiga sobre um comentário machista que tinha escutado. Eu estava indignada e tinha que fazer alguma coisa. Foi então que decidi escrever.

De textão no Facebook a um versinho no guardanapo do bar, o que vale é expor as suas ideias. Só não esquece que pra escrever bonito você precisa pesquisar e estudar sobre o tema. Esse exercício com certeza vai te ensinar muito sobre o assunto.

Também, se prepara pra receber críticas. E ainda mais para ouvir novos argumentos. Afinal, se feminismo é uma conversa, todo mundo pode ter algo a dizer — não é mesmo?

E então, está disposta a mudar essa conversa? Por que a mudança não é só desconfortável, tipo uma pedrinha no sapato. Ela dói. Ser feminista significa quebrar o silêncio e se forçar a falar sobre o assunto mesmo quando todos parecem não concordar com você. É desconstruir hábitos, questionar aprendizados passados para dar início a uma nova luta, agora com muito mais significado.

Erica Firmo

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.