Como a geração Milênio gosta de aprender

Recentemente a revista Inc, publicação focada em negócios e empreendedorismo, compartilhou um artigo sobre os desafios que as organizações estão enfrentando para desenvolver os seus próximos líderes, num cenário em que a maior parte da força de trabalho é composta por pessoas da Geração Milênio.

Na publicação, são elencados 6 elementos tidos como indispensáveis para engajar esta geração em ações de desenvolvimento e treinamento. E você vai ver que não é nada de outro mundo e parte de um princípio simples: observar o seu público e utilizar recursos que eles já adotam em suas rotinas.


Como este é um tema pelo qual me interesso bastante, fiz uma adaptação do artigo para o português com as ideias do autor.

Na publicação How to Effectively Train Millennials in the Workplace de Ryan Jenkins, o autor traz um dado perturbador: o desenvolvimento de talentos ainda é um dos maiores desafios enfrentado pelos executivos de RH nas organizações hoje.

Embora muito investimento seja realizado com treinamento e desenvolvimento, ainda assim há dificuldades em realizar ações eficazes. Os motivos são variados: desde ações desconectadas do negócio ou da realidade do participante ou que não falam nem um pouco a língua do público-fim. E a questão é ainda mais crítica quando se olha para a força de trabalho composta pelos Milênios.


Aqui um breve parênteses…

Ao ouvir o termo Milênio, muita gente pode associar diretamente com os jovens talentos ou estagiários das empresas. Mas a verdade é que esta geração contempla os nascidos entre as décadas de 1980 e anos 2000. Em pleno 2017, estamos falando com pessoas entre 17 e trinta e poucos anos. Tem estagiário, sim, mas tem muita gente ocupando cargos de gestão, liderança. Keep it in mind! ;)

Esta geração cresceu em meio a conectividade e tecnologias móveis. Eles PENSAM e AGEM diferente. Daí, nada mais apropriado do que abordar uma aprendizagem de uma forma que eles já estão bem acostumados. E a chave para isso é o Microlearning.

Microlearning é uma forma de entregar conteúdo em pequenas unidades de aprendizagem, que são disponibilizadas de forma acessível e conveniente.

Ou seja, quando e onde o usuário precisa. Uma das suas premissas é ter conteúdos que possam ser consumido em intervalos de tempos curtos, de 2 a 15 minutos no máximo.

E se você observar ao redor, vai confirmar que os Milênios respondem bem a ações que partem do conceito do microlearning, porque elas costumam apresentar estes 6 elementos que já estão presentes na rotina destes indivíduos:

1. Breve e Bonito

Breve, nem precisa explicar muito. Hoje, há mais concorrentes pelo tempo e atenção da força de trabalho emergente do que nunca. Eles já consomem informação e entretenimento de forma breve e sucinta. De twitter a snapchat, tudo é rápido e direto.

E o belo? Ah, eles têm mesmo uma expectativa elevada para que a tecnologia seja simples, intuitiva e bonita. Porque se o conteúdo do treinamento não refletir o que ele já consumiria regularmente na vida pessoal, certamente eles serão menos propensos a se envolverem. E menos envolvimento é igual a menos retenção da informação. E isso é justamente o que não se quer como resultado, né?

Com o microlearning, a carga de informações é menor, o que torna o consumo de conteúdo mais fácil de absorver, reter e recordar.

2. Ágil e Acessível

O funcionário do século XXI poderia ser o daquela música “meu escritório é na praia, tô sempre na área…” porque eles trabalham bem remotamente e usam seus próprios dispositivos para organizar as demandas profissionais e pessoais.

Assim, saem na frente ações de desenvolvimento que utilizam aplicativos nativos que são facilmente acessíveis e podem se encaixar na vida concorrida desta geração.

Novamente aqui, o Microlearning oferece a oportunidade de inserir o treinamento nas vidas destes profissionais de forma transparente.

Como e quando os Milênios aprendem é mais importante do que o que eles aprendem. Afinal, “o que” deixa te ter importância se eles nunca têm o tempo ou se o acesso ao treinamento é muito complicado.

3. Instantâneo e Inteligente

A sua reunião começa em 1 hora e o Google Maps te avisa que você precisa sair com 30 minutos de antecedência porque o trânsito está bom nesta manhã. Da mesma forma, por que o treinamento não pode ter uma forma semelhante, onde você recebe uma notificação inteligente sobre poderosas dicas de falar em público no seu telefone ao caminhar para uma reunião onde você será apresentado para a equipe?

Milênios já utilizam seus smartphones para encontrar respostas just-in-time para problemas inesperados. Imagine disponibilizar artigos rápidos, vídeos, podcasts ou infográficos com instruções e permitir que os usuários façam download de templates e frameworks para aplicação instantânea?

Com este comportamento de consumo de conteúdo já amplamente incorporado pela geração Milênio, adotar plataformas de aprendizado on demand torna o Microlearning a ferramenta ideal para o desenvolvimento deste público.

4. Colaborativo e Comunitário

Não é novidade que a grande parte do aprendizado acontece on-the-job, com a mão na massa mesmo, trocando com colegas de equipe, gerentes e especialistas em assuntos internos.

Por isso, criar comunidades onde Milênios possam aprender com especialistas, gerentes e seus pares e também contribuir com sua própria experiência é impactante e empoderadora.

Neste sentido, quando o Microlearning oferece tecnologia colaborativa e um ambiente compartilhado, isso ajuda a construir relacionamentos, diminuir silos, encolher distâncias geográficas, aumentar a influência pessoal e promover o compartilhamento de informações e boas práticas.

5. Relevante e Relacionável

Nunca antes, na história tivemos um mundo com mudanças tão aceleradas nos modelos de negócio ou mesmo no mercado de trabalho. E num contexto em que a única certeza é a mudança, todos precisam se comprometer com a aprendizagem contínua.

Isto também significa que a formação tem de ser hiper-relevante e voltada para desafios específicos. Se o conteúdo não é relevante e não está conectado com as necessidades do participante, a retenção e a transferência do aprendizado será prejudicada.

Desenvolver soluções que atendam a uma necessidade relevante e forneça uma solução que se conecte com o participante é a chave para o engajamento.

Neste sentido, a natureza do Microlearning potencializa os resultados de desenvolvimento ao entregar rapidamente conteúdos objetivos, relevantes e conectados com as necessidades do público.

6. Tudo junto, misturado e Conectado

Para a geração Milênio, é imperativo que ações de desenvolvimento combinem digital com atividades do mundo real. O treinamento em sala de aula continua impactante e transformacional na era digital. E uma abordagem combinada só fortalece a aprendizagem.

Sozinho ou combinado, o Microlearning melhora a retenção, amplia o engajamento e suporta outras ações de desenvolvimento do mundo off-line.


Ufa, parece coisa à beça! E pode até soar complicado numa primeira passada de vista. Mas a verdade é que isso já está acontecendo, agora… neste momento. É só olhar ao redor: deve ter uma tia sua que já está fera no youtube e já aprendeu váaarias novas receitas por lá. Seu pai precisou montar a bicicleta nova? Opa, deve ter visto pelo menos uns 3 vídeos sobre o assunto. E você? Estava trabalhando em um projeto novo e precisava de melhores ferramentas? Ah! Com certeza foi no Google perguntar.

A verdade é que Milênio ou não, cada vez mais a gente quer aprender onde e quando precisar. Esta é a chave. E se for objetivo, direto e relevante, como propõe o Microlearning, melhor ainda.

Agora isso não significa que a versão tradicional, com conteúdos mais longos, artigos parrudos de 500 páginas, webinars de mais de 1h hora, imersões de dias para aprofundar questões, tratar novas temáticas, morreu. Pelo contrário!

Quando o interesse é despertado, quando o assunto tem relevância e relação com os Milênios, eles são os primeiros a procurar mais informação, confrontar pontos de vista, propor novas abordagens.

Agora, entender que o Microlearning é uma ferramenta poderosa para se conectar e engajar esta tribo é sair na frente no desafio de preparar os próximos líderes do futuro.


Para conhecer o artigo original, acesse aqui.


E você? Já usou algum dos recursos do microlearning para aprender?