O primeiro passo

A concepção de uma idéia e a importância da sua validação

O ano era 2012. Últimos semestres da faculdade. Eu cursava Sistemas de Informação pela Universidade Potiguar. Era ano de TCC, e a regra era validar um projeto, embasar ele com material teórico e apresentar um protótipo funcional.

O projeto deveria ser feito em dupla, mas eu tinha acabado de retornar à Natal e não conhecia ninguém da minha turma. Estava com alguns problemas de confiança e, depois de conversar com o orientador e receber aval do mesmo, resolvi fazer tudo sozinho.

Na época, tive meu primeiro contato com o novo mundo mobile. Adquiri um smartphone simples e conheci diversos dos apps que hoje dominam o mercado. Naturalmente fiquei fascinado com a possibilidade de "tocar" em um software criado por mim. Então resolvi pensar em alguma solução mobile para o meu projeto, indo na contramão de vários colegas que desenvolviam a "mesmice": ERPs, CMS, etc.

Xperia X8, nunca te esquecerei s2

Mas afinal de contas, o que necessariamente eu deveria pesquisar e desenvolver?

Cai num erro bobo que muita gente ainda cai hoje: pensei numa idéia sem saber se o seu real propósito atendia alguma necessidade.

Um app que eu poderia efetuar uma solicitação, e a mesma seria disparada para um sistema web gerenciador, e atenderia a uma demanda hipotética. Comecei a estudar programação para Android e Webservices, e me aprofundei a ponto de conseguir criar tal conexão. Era perfeito!

Estrutura linda e arquitetada…mas isso importava tanto, afinal?

Fim do primeiro semestre, e uma bomba: a apresentação da primeira etapa do TCC foi ótima. O problema foi o material teórico. Como provar, através de argumentos, referências, etc. que o meu projeto tinha alguma relevância além do âmbito tecnológico?

Foda-se. Estava mais preocupado em matar algumas matérias atrasadas, então continuei aperfeiçoando meu software. Continuei lambendo, polindo e penteando minha linda cria, durante os outros 5 meses que me restavam. Que tolo…

Só me preocupei com o material teórico nas últimas. Faltavam 2 semanas para a apresentação final, no fim do ano de 2012. E foi feito daquele jeitinho…

Nada a declarar.

Bom, o resultado de tudo é bem previsível. Eu consegui apresentar de forma satisfatória, mas vacilei no que realmente importava: o valor agregado. De que adianta ter uma ótima idéia, se ninguém vai querer comprá-la? De que adianta eu mostrar o app e a comunicação com o servidor totalmente funcional, se a bancada do TCC estava mais preocupada com a base teórica?

E hoje eu percebo como eles tinham razão…

Consegui uma nova chance de melhorar o trabalho escrito e uma nova chance para validar, mesmo que minimamente, o meu projeto. Todo um estudo foi feito, seguindo um problema comum no dia a dia de muita gente. Finalmente dei sentido à existência da minha idéia, e isso me fez concluir a jornada da graduação.

O feedback foi bem positivo, professores conceituados me incentivaram a tocar o projeto, e alguns amigos até se interessaram em participar. Eu estava com faca e queijo na mão.

Era hora de colocar a idéia no mercado? Talvez. Infelizmente, não houve oportunidade nem apoio na época, a descrença de alguns sugadores de energia me fez desacelerar o ritmo, e a idéia acabou sendo engavetada.

Não por muito tempo.