De quem é a culpa?

Porque às vezes nos sentimos frustrados demais em relação às nossas próprias expectativas.

Tenho tatuado no braço a frase de uma música que gosto muito, mas que me provocou muitas reflexões recentes: “Don’t you know that only fools are satisfied?”.

Descobri, há muito, que a vida pode ser muito mais dura que qualquer capítulo de Malhação ou vestibular pode demonstrar, e acho que você também já chegou a essa conclusão. Durante anos, até decidir, por fim, deixar a minha pele pra sempre marcada com esse trechinho de Vienna, do Billy Joel, me questionei: até que ponto devemos estar sempre insatisfeitos com tudo?

E de pronto, posso responder: pra sempre. Venho por meio desse explicar minha teoria.

Existem, na vida, duas coisas distintas: a satisfação e o contentamento. A satisfação é aquela que te (me) move para frente. É sua inquietude em relação às coisas que te cercam, o seu reinventar diário para mudar as realidades, consciências, para transformar o mundo ao seu redor. E falo em transformações não do jeito altruísta da coisa, mas naqueles pequenos passos que fazemos dentro das nossas mini existências, capisce?

É a ausência de satisfação que te torna uma pessoa criativa, que faz de você um curioso, inquieto, alguém que sempre pensa 4 passos à frente de qualquer coisa — seja de um relacionamento, de um projeto ou das consequências dos próprios atos.

Dessa forma, reafirmo aqui: apenas os tolos estão satisfeitos, como diz a música. Porque apenas àqueles que acham que nada mais precisa ser melhorado é que não se reinventam. E, convenhamos, ser sempre a mesma coisa, pro resto da vida, deve ser chato demais.

O problema é quando confundimos satisfação com contentamento. Quando não conseguimos enxergar quantas coisas conquistamos e estamos sempre em busca de algo que nem sabemos direito o que é — ou que sabemos, mas que nunca é o suficiente. Seja dinheiro, seja reconhecimento, seja sucesso. É muito mais difícil estar contente que satisfeito, porque quando estamos imersos nos nossos universos de conquistas materiais/pessoais (um carro, um apartamento, uma promoção, uma viagem para fora do país) não entendemos muito bem o que isso quer dizer.

Às vezes precisamos nos distanciar daquilo que mais desejamos para fazermos as pazes com aquilo que temos, com quem somos, e com o que esperamos da nossa própria vida.

De quem é afinal a culpa por nunca chegarmos onde tanto desejamos? De nós mesmos. E das nossas expectativas cada vez mais bizarras em relação às conquistas da vida.

Você não é um fracasso e veja bem, não sou à favor do voto de pobreza. Não sou contra termos sonhos ou lutarmos para conquistar nossos ideais. Permaneçam insatisfeitos, mas marquem um encontro com o contentamento onde ele já está.

Que, sem dúvida, é mais perto de onde você o vê.

Like what you read? Give Ericka Moderno Rocha a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.