Todos devemos sumir um pouco

H á um tempo atrás li uma matéria ou artigo, na realidade não importa em qual gênero textual se encaixava, que falava sobre “Frequência afetiva” e a necessidade de estar presente social e interpessoalmente junto de nossas relações. Achei fantástico! E é a partir daí que pego uma carona nessa cauda de cometa e dou prosseguimento às minhas ideias.

Durante os últimos meses, realmente vi em mim uma necessidade de me afastar e reavaliar alguns pontos inerentes às minhas relações, objetivos pessoais e comportamentos perante a tudo aquilo que pretendo para meu próprio bem estar. Esse foi meu próprio exílio até o presente momento, onde agora me deparo com constantes “você sumiu”. Sim, eu sumi e você deveria fazer o mesmo… Sabe por quê?

Existir por si só já é fantástico e o tesão por viver não reside em outros seres.

Não estou tentando contradizer a poesia de Antônio Carlos, jamais cometeria tal ato. Digo aqui que o norte da bússola que nos guia deve partir de dentro pra fora e não o contrário. Os pequenos prazeres que proporcionamos a nós mesmos, em nossos momentos de introspecção são tão gratificantes quanto viver bons momentos com quem você preza ou ama.

É claro que sumir no meu caso, trouxe à tona reflexões interessantes sobre tais companhias e sobre quais delas contemplam de forma leve àquilo que espero para me meu próprio prazer e acredite, ter pouca frequência afetiva é um mote que satisfaz minhas expectativas. Nunca esperando nada das pessoas e me surpreendendo com aquelas que têm se mostrado interessadas em meus “porquês” e entendido esse novo momento que surgiu.

Não é como se desmerecesse aos amigos ou conhecidos que não vejo há dias, meses ou anos, é justamente o contrário. Não pretendo bater cartão na sua vida e muito menos você na minha, o que preciso é guardar meu apreço e fazê-lo valer em momentos oportunos. Vê se tenta fazer o mesmo…

Dê um tempo a sua solidão, aos seus planos e hábitos mais íntimos. Buscar o prazer em fazer algo sozinho não é ruim e é provável que você encontre um lado seu até então nunca percebido, um cantinho nunca explorado em seus prazeres. Coloca aquela música alta, leia uma livro, vá dormir cedo numa “sextinha top” — Tsc! Ou então coloque seu calçado mais confortável, fones nos ouvidos e “dê um rolê”. Garanto que muitas coisas irão surgir na sua cabeça sem que perceba, que muito virá a reflexão e muito irá mudar em sua relação com você mesmo.

Eu quero sumir nesse mundão afora com uma câmera na mão, refletir um pouco da minha solidão. Isso me faria de fato mais feliz; seria a “sumida dos meus sonhos”.

E aí? Quando foi a última vez que você foi feliz sozinho?