Sobre piadinhas com fundo de verdade, e a noção de que qualquer que seja nossa profissão acabamos precisando de gente que saiba fazer outra coisa.
Volta e meia eu me pergunto o porquê de ainda ter uma conta no facebook. Fico na dúvida se esse pseudo-contato com familiares/amigos distantes compensa algumas coisas que a gente acaba ‘tendo’ que ver.
Passou por mim então um post “engraçadinho” de uma escola de música em Brasília, uma das caras e famosas.

E a galera da música achou o máximo, com seus likes e compartilhamentos.
Agora, todo mundo que estuda música pensa nessa linha? Isso quer dizer que conteúdos básicos de ensino médio são inúteis se você é das artes? No caso da música, como ficam os profissionais em volta? Eu não sei muito do meio, mas sei que técnicos de áudio têm que saber sobre comportamento de ondas, sei que construção de instrumentos elétricos ou eletrônicos e seus acessórios exigem engenheiros, que as gravações utilizam softwares que obviamente são programados por alguém. Até a mera existência de uma escola de música exige habilidades que não são exatamente musicais (falando da parte gerencial). Alguém ainda acha que empresas como Fender e Yamaha produzem no estilo luthier?
Eu sei que no Brasil os músicos não têm o reconhecimento que merecem. Mas também a maioria das carreiras não têm (de cabeça, coloco como exceções os políticos e jogadores de futebol). A meu ver, o estudo de música é bem mais difícil do que de outras coisas — exige muito mais disciplina e perseverança do que a maioria das pessoas imagina. Eu pensava assim também: achava que dava pra dominar um instrumento apenas casualmente, mas isso não durou mais que duas semanas quando me meti a de fato estudar guitarra. Foi quando descobri que música é um hobby-casamento, que exige de mim tempo, dedicação, investimento financeiro, planejamento e tudo mais, mas que também tem sua parte prazerosa. E aqueles que fazem disso sua profissão, treinando suas 10 horas diárias, são valentes sim.
Eu aprendi a respeitar a galera da música pela convivência com músicos. Mas ainda tem uns que continuam a se vitimizar porque não ganham como médicos, e não querem saber de se profissionalizar porque vão perder o fator “arte”. Me incomoda a ânsia de querer diminuir o trabalho de outros, que muitas vezes estão justamente trabalhando pela música em suas áreas de conhecimento. Reitero que não são todos que fazem isso, provavelmente seja a minoria, até, mas é uma daquelas minorias que aparece.
Será que eu que virei chato e tô de mimimi? É hora de lançar a campanha de conscientização contra a “nãomusicofobia”? Ou é melhor só ver a piada e deixar pra lá.