Numeração fixa quebra tradição e esconde camisa 10 no futebol brasileiro

Mais de 70 jogos (28%) da Série A do Brasileirão sem a camisa 10 em campo. Com a numeração constante e a alta rotatividade de jogadores nos clubes, o número eternizado por Pelé fica em segundo plano na elite do campeonato nacional. Botafogo, Ponte Preta e Santa Cruz são os únicos que tiveram o “10” entre os titulares em todas as rodadas. Enquanto Atlético-MG, Figueirense e Inter sequer utilizaram o número 10 em sua escalação inicial.

Pelé com a camisa 10 do Santos na sua única partida em Florianópolis contra o Avaí no antigo estádio Adolfo Konder, em 1972. Foto = Polidoro Júnior

Ao receber a sua primeira Copa do Mundo, em 1950, o Brasil também entrava na história como sede do primeiro mundial com identificação numérica nas camisas. Oito anos mais tarde, Pelé, com apenas 17 anos, apresentava seu talento e eternizava a camisa 10, encantando o mundo em solo europeu. A partir de 1958 o número mais charmoso do futebol se transformou em sinônimo de craque.

Com a numeração fixa adotada na maioria dos clubes da Série A do Brasileirão 2016 está cada vez mais raro encontrar um time que tenha sua escalação de 1 a 11. A Ponte Preta é a única que mantém a tradição à risca. América-MG, Botafogo e Santa Cruz também não adotam a numeração fixa como regra, mas alguns jogadores utilizam em casos pontuais.

Diante da alta rotatividade de atletas nas equipes, a camisa 10 fica em segundo plano na elite do campeonato nacional. Até a 26ª rodada apenas três clubes utilizaram em todos os jogos: Ponte Preta, Botafogo e Santa Cruz. Por outro lado, Atlético-MG, Figueirense e Inter ainda não utilizaram o “10” em sua escalação inicial. O Fluminense estreou sua camisa 10 somente na última rodada, com Gustavo Scarpa.

Através de uma análise sobre todas as súmulas do Campeonato Brasileiro é possível constatar que 74 jogos dos 260 realizados até o momento começaram sem a camisa de número 10 em campo. Além disso, todas as rodadas registram jogos sem a presença da camisa eternizada pelo Rei do Futebol.

Os clubes brasileiros esperam sucesso comercial com a numeração fixa, mas encontram obstáculos com o atual formato do calendário do futebol nacional. Por não estar alinhado com a temporada europeia, o êxodo constante somado ao número de retornos de jogadores ao país e o alto número de transferências internas geram desvalorização da imagem entre jogador, número da camisa e clube. Situações curiosas aparecem nos números das camisas que vão desde homenagem aos familiares e ídolos do esporte a superstições e alusões ao ano de nascimento. Costumeiramente a torcida aprova números alternativos quando eles são parte de uma ação para homenagear um título, como Diego Souza no Sport com a 87.

No Brasil, a justificativa de associação do número na camisa dos jogadores ao clube fica desqualificada com as mudanças constantes nos elencos. O resultado, na maioria das vezes, aumenta a imagem do próprio atleta com determinado número de camisa, não a sua vinculação com a instituição.

Kleber Gladiador com a 83 no Coxa. Foto = Site Coritiba Foot Ball Club

Mesmo com a referência histórica da camisa 10, os números alternativos como 35, 50, 70, 83, 88, 97, entre outros, ganham cada vez mais espaço no futebol brasileiro.

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