Fluminense #1 — Lágrimas

Éric Maiorano
Nov 4 · 2 min read

Hoje inicio mais uma “coluna”, pra falar do meu time do coração: o Fluminense

No último sábado, 02/11, Fluminense e Vasco se enfrentaram no Maracanã, pela 30ª rodada do Brasileirão. As estatísticas mostram o que foi o jogo: domínio maior do tricolor, bastante finalização de ambos os lados e pontaria péssima.

Dentre o caminhão de gols desperdiçados pelo Fluminense, está a chance claríssima que Marcos Paulo teve. Aos 5' do segundo tempo, após cobrança de escanteio e desvio no meio do caminho, a bola sobrou para o jovem atacante cabecear com liberdade e bem posicionado já dentro da pequena área. O cabeceio vai pra fora. O jogo terminou 0 a 0 e a situação ficou mais delicada pro Fluminense na luta contra o rebaixamento.

Ao final da partida, segundo informações divulgadas por alguns portais tricolores, Marcos Paulo chorou no vestiário pelo gol perdido, assumindo pra si a culpa pelo empate. Esse choro e sua repercussão são sintomáticos por alguns aspectos.

Primeiramente, acredito que essa reação do MP tenha sido uma reação, também, de torcedor. Independente do time de berço, certamente é, no mínimo, um tricolor convertido pelo tempo dentro do clube e a gratidão por conseguir alcançar o sonho de ser um jogador profissional através das três cores. Isso mexe com a cabeça de um cara jovem que tem a chance de ajudar num momento de dificuldade e, infelizmente, erra, porque está sujeito a isso.

Parte da torcida parece não se importar, prefere subestimar o sentimento do jogador frente ao sentimento de frustração dos torcedores, como se Marcos Paulo também não fosse um. E encara essa pressão como algo inerente à profissão, como se “jogador de futebol” fosse uma categoria completamente diferente de outras profissões.

Outro ponto é a situação em que o clube se colocou. Marcos Paulo é apenas mais um promissor talento jogado no time de cima por necessidades, transferindo pra esses atletas uma responsabilidade que não precisava ser depositada neles nesse momento da carreira, justamente pela falta de casca e por se tratar de jogadores em formação. A falta de suporte e blindagem pra esses atletas — seja por falta de comando, seja pela falta de jogadores mais experientes que chamem a responsabilidade -, faz aumentar a pressão sentida e abre margem pra que o jogador seja sacrificado pela torcida impaciente (vide João Pedro, que virou alvo de críticas da torcida como um bode expiatório).

Essa pressão que o próprio clube coloca em cima do jogador contribui para o clima que gera o tipo de cobrança citada anteriormente, onde o sentimento de jogador não pode ser comparado ao de um torcedor qualquer.

Isso não é exclusividade do Fluminense, são sintomas de um futebol brasileiro que vai de mal a pior, em sua maioria. É preciso repensar a utilização de jogadores tão jovens e como os clubes tratam a cabeça deles. É preciso também repensar essa cultura combativa da torcida para o elenco, dentro do futebol brasileiro.

ST!