As redes sociais parecem colégios repletos de adolescentes e nenhum professor

Sabe-se, desde Foucault, que recursos de panóptico são utilizados para estabelecer vigilância e controle social. Esse controle se dá a partir de uma arquitetura do local que permite a vigilância constante e onipresente.
Vale traspor essa reflexão para a arquitetura das plataformas sociais como o Instagram. Qual é a tela do aplicativo em que mais passamos tempo? Trata-se do “feed”que curiosamente, nos apresenta tudo aquilo que o outro publica na plataforma.
Conclusão: se evocarmos a distopia de George Orwell, o Big Brother não é somente uma instituição superior, mas também, nós mesmos. Uma sociedade vigiada pelos próprios amigos.
Auto regulada a partir das trocas de posts e discussões, algumas vezes bem ferozes. Algo como em colégio repleto de adolescentes e nenhum professor-mentor.
Antes de dormir e logo que acordamos, estamos silenciosamente, estabelecendo um processo de vigilância dos nossos pares a partir de plataformas como o Instagram e de controle do que é publicado, através das curtidas e comentários.
Num ambiente assim, estas pessoas são obrigadas a construir conhecimento a partir da troca entre seus pares e disso pode nascer ideias criativas e inovadoras mas também, podem cometer grandes erros que poderiam ser evitados.
O psicanalista brasileiro, Jorge Forbes, diz que vivemos uma sociedade que se organiza de forma horizontal, que tem como referência seus próprios pares. Para se assegurar das decisões que tomamos, sentimos necessidade de ressoar nossos discursos para validá-los.
Talvez seja esse um dos motivos para o grande valor que damos para os likes e dislikes. Mas precisamos evitar o anseio pelo controle daquilo que o outro publica.
