há uma escuridão na avenida
da orla da cidade.

por lá eu enxergo a vida
e a intensidade de nossa juventude brilhando tanto quanto os faróis vermelhos
no amarelo daqueles postes sempre me senti um forasteiro
fugindo da verdade inegada: tudo é passageiro, e se vai
quando se apaga.

no cais, o terra dos homens continua atracado
logo acima de onde se estende a água
bem no rosto de nossos pais, num sonho afogado
se refletem as cores e dores da ressaca
mas nossa fuga não se abala.
em meio aos caminhões que passam, fazendo barulho
e do escapamento soprando fumaça
nossos olhos se embaçam de orgulho
e da areia suja que os pés tocam na praia
pois sempre soube que na verdade aquele som alto de agonia
era o começo da noite, que nosso nome chamava. "liberdade!"

e as nossas almas jovens ouviam
falando sobre lugares distantes
e tudo que os nossos pulmões sentiam cantando a poesia, inacabada
nos juntamos à salgada sinfonia
e ao som do vento, que vindo de longe
toda nossa essência almejava.

[demorei muito pra perceber e conhecer toda a verdade
só agora posso ver e entender a realidade.]

tudo que hoje anseio é que um dia não mais precise mentir
e que o desejo possa sair
que eu mesmo consiga descobrir
o que há de verdadeiro
dentro de mim
e que mais cedo ou mais tarde
todos possam sentir minha verdade, não mais vazia
que eu consiga ter, sem mais saudade
aquilo em que penso, todos os dias
desde o tempo em que te conhecia...

liberdade

ainda que tardia.