É como uma flor perdida no vão agora.
Todas as pétalas foram retiradas de forma brusca, mas tão irritantemente gradual ao mesmo tempo, que houve um ponto em que se acostumou. — mais um dia normal de fins e liquído vermelho.
É só mais uma dor. E depois mais uma para fechar a semana. e, ah, traz mais um pouquinho daquela mesma do começo do ano que eu tô com saudade de ter algo pra chorar.
Não é normal aplicar a si mesmo tantas dores, sejam elas emocionais e físicas, mas algumas pessoas fazem isso. Ou pelo menos eu.
Todos os dias durante um ano acordava com dor nas costas, e nunca pedi ajuda. Não estive acostumada a não sentir dor, então estranho seria mesmo era viver sem um incômodo sequer. Faz parte. Não era tão forte pra reclamar. Hoje sei que isso foi bem estranho…
Ouvi algo essa semana e pensando bem talvez eu realmente pratique auto sabotagem. Talvez todos os diagnósticos não tenham sido aleatórios e eu esteja me machucando psicologicamente desde sempre. Por ser a criança que eu fui, por não ter a família idealizada, por receber violências, competição, misoginia, assédio, ódio e ameaça como atitudes normais.
Eu estive doente por muitos anos. Não falo do suposto problema cardíaco aos 14 anos, nem dos 4 anos de pedra nos rins, muito menos da mais recente dupla endofagite e gastrite. Falo de ter receita médica de tarja preta desde a idade em que eu deveria estar pensando em namoricos escolares idiotas. Falo de estar desenvolvendo crises de ansiedade e surtos desde os 12 anos (ou menos) por viver em um ambiente que, sem exageros, parecia querer me eliminar em alguns momentos.
Agora estou longe e não sou mais diretamente influenciada por eles. Só que sofro com os resquícios de tudo isso. Travo ao tomar decisões básicas por achar que não sou o suficiente; tenho medo dos homens que se aproximam porque acho que podem me ameaçar, me trair ou me invadir — mesmo que não devam, os mais próximos são os piores. E acima de tudo não faço ideia dos meus desejos reais.
Não consegui gritar quando tentei suicídio umas 10 vezes. Nem quando ele me apalpou na escola, ou me jogou contra a parede, ou apertou meu corpo ‘doente’ por chantagem, nem quando sangrou minha boca, nem quando gritou comigo. Não gritei quando o outro disse que queria que eu morresse. No momento em que gritei foi com meu primo, mas fui ameaçada com tiros pelo pai dele que na verdade sempre me olhou de modo nojento mesmo.
E por isso tenho medo de não saber falar, porque não sei. E também me sinto mal por escrever disso.
Eu não sei quem sou, onde ficar, a quem amar ou não — se eu souber mesmo amar — , não sei falar, por isso meu único sinal é a doença. E que caia mais uma pétala esse mês. Se puder, não se sabote, vicia.
se me ouvir gritar por aí, aplaude. que eu preciso de força pra ser seja lá quem devo ser. não posso ser mais uma em vão.
