Por todos os não ditos e os desditos
Existe uma série de coisas que eu — particularmente o eu menos cheio de defesas e menos paranóico — gostaria que soubesse.
No entanto, por todos os últimos momentos e meses, tive que esconder inúmeros fatos e suspeitas de ti. Por precaução. Não deveria te magoar, esse era meu foco.
Porém, (novamente uma palavra de negação e não gosto delas tanto quanto você pensa), acabei te machucando ao tentar te proteger, e caí no erro de uma das pessoas que mais gostei também. E isso foi bem irônico.
Não pretendo contar todas as verdades porque muito provavelmente te assustaria e eu também não sei até que ponto posso contar o que fica aqui dentro.
Mas queria que soubesse que a verdade é que você não foi uma das, mas felizmente, a mais importante e mais relevante das minhas relações até o momento.
Por que dizer isso se você não vai ler? Egoísmo. Ao menos alguma hora tinha que pensar em mim e só. Precisava contar…
E pelo fato de você ter sido a pessoa que mais me conheceu e mais teve influência sob mim, já pode imaginar que a separação está sendo bem dolorosa.
Diferente dos meus relacionamentos ‘amorosos' que eu viro as costas e vou embora. O nós foi interrompido e eu fui pega de surpresa.
O problema, ou erro, ou descuido foi ter ido tão no automático, com tanta confiança e sem pensar na possibilidade de te perder futuramente, que entreguei todos os segredos, te contei das situações mais estúpidas e dei a chave do meu dia a dia.
Pra você entrar quando quiser, recitar um poema, falar de uma música, fazer uma piada e dormir normalmente como se nada tivesse acontecido.
O problema é que tudo aconteceu. (Espero que lembre do meu medo no começo em que eu dizia “tem algo errado com a gente” e você super tranquilo dizia que não… eu já estava sentindo lá dentro, mesmo antes de você)
E agora você fechou a porta pra não mais entrar.
A cada ano de convívio nos renovamos. Um período de brigas, seguido das risadas e deboches de sempre. Outro período das confissões, do choro, da ajuda. E em comum a todos eles: nós e tudo o que compartilhamos. — e talvez a confusão, a bagunça: nossas palavras —
Quero que saiba que mesmo não sendo agora, ainda somos sempre só nós dois.
Ao menos aqueles dois que se conheceram no local em que viveram a maior parte da vida, aqueles dois daqueles dias… daquelas milhares de faíscas trocadas de pertinho.
Isso sempre vai estar guardado em uma parte do tempo e do espaço. Seja uma memória na casa deles, na minha ou na sua. Estaremos sempre lá, nos encarando, segurando a mão um do outro, e todo o resto continua a nos olhar (mesmo que eles não saibam do significado de nenhum dos pronomes demonstrativos usados nesse texto, já que não estavam naquele lugar ou não têm certeza de quem foi aquele que me causou tudo isso).
Ou talvez seja só meu modo torto de procurar conforto na lembrança por não ter teu abraço perpétuo como achei que teria. (lembra daquele)
É sempre amor mesmo que acabe.
Obrigada por aparecer. E me ensinar sobre tudo o que ensinou. (e eu odeio admitir que me ensinaram algo)
Espero não ter sido algo ruim. Ainda te vejo em Recife qualquer dia…
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