Não tenho dinheiro para terapia, e agora?

Uma boa terapia com um bom profissional é algo caro, e muitos não tem condições de pagar mais de R$100 em uma sessão, e muito menos, mais de R$200 por um bom psicólogo. Mas tudo na vida tem solução, e aqui vão 3 dicas para ninguém ter desculpa de não estar fazendo terapia.

  1. Clínicas-escola: são atendimentos com preços sociais (até R$30,) supervisionados por professores. O atendimento pode se feito por um formando em psicologia, ou um psicólogo formado, que está no final do seu curso de formação/ especialização. Em Brasilia, as clínicas escola de estudantes são o CAEP (UnB), o do UniCeub, etc. E os de cursos de formação temos o IGTB (Gestalt), ABP (Psicodrama), vários de psicanálise, IJB (Jung), etc. 
    Minha recomendação: dê preferência a psicólogos formados, pois além de estarem formados, possuem pelo menos 1 ano de curso específico para atendimento, algo que o curso de psicologia não fornece aprofundamento suficiente. 
    A vantagem da clínica-escola das faculdades é a supervisão feita por professores altamente qualificados, mas a grande desvantagem é a roleta-russa, e você pode ser atendido por alguém muito bom, ou muito ruim, que pode estar lá mais por obrigação, cumprindo créditos, etc.
    O que fazer? Veja uma abordagem que você se identifique por alto, procure um curso de formação dessa abordagem, e ligue perguntando se oferecem atendimento social. Espere um pouco na fila, e pronto!
  2. Terapia de grupo: apesar de estarem um pouco fora de moda, inúmeras pesquisas mostram que a evolução em uma terapia de grupo tende a ser igual ou mais rápida do que uma terapia individual. E uma sessão de 2h de terapia de grupo, com uma média de 8 pessoas, o valor da sessão tende a ser 1/4 do valor cheio do terapeuta. Nessa modalidade, você pode fazer terapia com um excelente profissional, e pagando bem menos.
  3. Terapia “caseira”: essa segue o mesmo dilema entre fazer academia e malhar na rua. Você consegue resultados muito parecidos, mas precisa de grande disciplina, técnicas e esforços muito maiores. Seria impossível descrever as técnicas e princípios da auto-terapia aqui, mas resumindo a minha experiência, seria uma mistura de meditação, imaginação ativa, e falas com seres/figuras imaginárias. 
    Antes, você precisa entender que seu “corpo psíquico” tende à cura, e para acionar seus “anticorpos emocionais”, é necessário entrar em contato real com suas necessidades reprimidas. Por exemplo, você acabou um namoro, e algumas coisas atravessadas, mal resolvidas, etc. Então encontre um espaço na casa onde ninguém vai te ouvir ou incomodar, imagine a tal pessoa na sua frente, e diga em voz alta tudo aquilo que você gostaria de dizer, e deixe as emoções saírem (catarse) e procure a necessidade que não foi atendida (elaboração). Acredite, o resultado é 91,6% do que seria falar com a pessoa na vida real. Dependendo, até mais eficiente! :) 
    Farei um post específico sobre técnicas de auto-terapia, mas o mais importante é a força de vontade para o processo. Na teoria, é algo simples: separe um horário semanal, local seguro, e olhe para dentro. Não é mais complexo do que isso. Obviamente, leituras são recomendadas para fortificar o lado “consciente” do processo que você está vivendo. Em resumo, seria um meditação emocional, onde o foco não é pensar em nada, mas deixar a imaginação e as emoções te levarem para onde elas precisam, e se permitir a experimentação. Pode ser difícil no começo, mas tenha fé, pratique, e você verá os resultados. Auto-terapia é uma bela e profundíssima viagem.

Outras dicas:

Convênio: uma forma “barata” de terapia é o velho plano de saúde. A desvantagem do plano é que costumam ser psicólogos recém formados, e muitos ainda não possuem formação/ especialização, e provavelmente não possuem uma supervisão para acompanhar os casos. Minha dica: já que é “de graça”, reserve uma semana para você conhecer uns 3 ou 4 psicólogos. Pergunte sobre sua formação, e escolha quem você sentir mais afinidade. Assim você terá muito mais segurança de que estará em boas mãos.

Outra forma bem direta, seria ligar para o psicólogo que foi recomendado por algum conhecido, e pergunte se ele tem vagas para atendimento social, e deixe claro que você não poderia pagar mais de X por sessão. Sugestão: calcule entre 15% a 20% da sua renda total para gastar por mês na terapia, ou 5% da sua renda por sessão. Caso o profissional não possa, peça um contato de um terapeuta que ele acredite que poderia atender pelo preço que você sugeriu.

Como tudo é troca nessa vida, sou da teoria que uma boa terapia tem que ser cara sim, no sentido de sacrifício, pois algo precisa morrer para poder nascer. Não é regra, mas é bom que ela doa um pouco no bolso, ou que envolva um bom esforço. No final, é uma forma de dizer a si mesmo que “eu sou caro - eu sou valioso - eu mereço”, algo muito saudável. 
No fim, pagando caro ou barato, o que importa mesmo é a vontade de se curar ou se auto-conhecer. E hoje, o que não falta são opções: inúmeras abordagens, terapias alternativas, grupos diversos, etc.

Como diria o velho Reich, “Ninguém tem culpa de estar doente, mas tem culpa de não buscar a cura”.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Erik von Behr’s story.