Pós-modernidade: a fase adolescente da humanidade
5 mil anos atrás, Hermes Trimegisto, a antítese pós-moderna encarnada, afirmava o que está acima está embaixo; tudo é cíclico, nasce, cresce e morre. Vamos viajar aqui, e por um momento, enxergar a história como um ser humano em desenvolvimento.
Homem das cavernas. Gugu dadá, mim querer! Tomava a força, não tinha noção dos instintos que o regiam. Fogo… trovões… o seio materno… animais… Tudo era um grande mistério que magicamente brotava para o bebezão peludo, que hoje podemos apenas especular o funcionamento de sua pisque.
Por volta dos 6 anos, o cérebro é capaz de introjetar regras sociais mais complexas: assim ganhou poderes, e tem o rei na barriga. É a época dos impérios, construindo castelos para se proteger de crianças malvadas que tomam seus brinquedos, e quer tomar os brinquedos que não tem. Sua aparente coragem revela por trás um medo profundo: superstições, escuro, bicho papão e dragões são seres reais habitados em seu mundo. Se escondendo atrás da saia do clero, e tem medo do Deus-pai,
A puberdade vem quando contaram que não existia papai noel, bruxas ou coelho da páscoa. A criança, desolada pela mentira que contaram para ela durante toda a vida, se rebela. Eis que surge o projeto moderno. “Nunca mais vou acreditar nessas fantasias de criança! Quero ser adulto!”. Ela vai descobrir o mundo por conta própria, dormir na casa das amigas, competir com os colegas quantas já beijou, expulsando assim os últimos demônios do velho mundo infantil, através de uma hiper-racionalização que debocha do seu passado.
Mas o pré-adolescente ainda não conseguiu sua autonomia completa. Ainda precisa que os pais paguem suas contas. Vai à missa com os avós. Mora num lugar fixo. Precisa se afirmar no mundo masculino zombando coisas de menininha, cria esteriótipos e preconceitos, acha que sabe tudo…
A negação da infância não para por aí. A rebeldia alcança seu estopim quando a humanidade se vê longe da casa dos pais, com carteira de motorista, intelectual, atraente…. “Finalmente estou livre! Transo com quem quero, modifico qualquer parte do meu corpo, eu crio a minha própria verdade!” Assim chega a pós-modernidade abalando geral, e sua missão é enterrar de vez a criança supersticiosa e curiosa, trazendo a sua revolução pessoal.
Chega de ser o filhinho da mamãe! Chega de missa com os avós aos domingos! Chega de matemática da escolinha! Vou gritar pois está todo mundo gritando! Quero ser visto! E ainda, vou libertar quem ficou preso como criança ou pré-adolescente das amarras tenebrosas da infância. A qual causou diversos traumas nesse projeto de adulto, que tanto sofreu ao longo da sua história de perseguições, guerras e escravidão.
Aqui termina o drama da humanidade adolescente.
Para sairmos das amarras medievais do clero e reis, e das tradições familiares modernas, a força necessária foi tamanha que foi difícil frear: passamos do ponto ótimo. Homens se viram perdidos pela primeira vez na história , enquanto as novas-mulheres-maravilhas acham que dão conta de tudo.
Se na obsessiva modernidade eram os histéricos que surtavam, hoje, o comportamento histérico é o novo-chic. Enquanto os obsessivos são tranquilamente taxados como reaças, antiquados, chatos, etc. “Finalmente eles vazaram, a revolução está próxima!”
Sem bases sólidas para apoio, é necessário muita força (agressividade), para se afirmar no novo mundo das incertezas. “Quem é você branco-opressor-machista-hetero-normativo-capitalista-colonizador para me tirar do meu gozo?”
Desconstrução das Leis divinas é a palavra do momento. E assim caminha a humanidade, acumulando alguns recalques pela estrada, como…
Nossos instintos e conexão com a natureza.
Ficou na caverna.
Nossa curiosidade científica e vontade de explorar o mundo.
A escola levou.
Nosso lado comunal e cultivo familiar.
Temos Facebook.
Assim, com esse trágico percurso da nossa amiga História, poderíamos esperar algo diferente da humanidade hoje? Será que por trás de toda essa histeria não se encontra uma criança ferida, que no fundo só quer chorar o passado?
Quando todos estão gritando, ninguém se ouve para perceber o barco afundando. Vamos esperar para admitirmos que precisamos de um mínimo de chão, afinal? Ou o orgulho nos impedirá admitir que nossos pais acertaram em algumas coisas?
Como vovó já dizia: todo carnaval tem o seu fim.