Precisamos falar sobre homens

Mulheres estão dando voz ao seu sofrimento há mais de um século. O que me preocupa é o silêncio masculino. E os posts do #meuamigosecreto mostram claramente a profunda crise que os homens se encontram.

Na nossa história recente, quando tomamos consciência que vivemos numa sociedade patriarcal, estrutural, bélica, e competitiva, houve subitamente uma vergonha geral da condição masculina. 
Os mais sensíveis renegaram seu masculino, foram os hippies, artistas, new-age, etc. Delegando a sua tarefa milenar à mulher, consequentemente, a sobrecarregando. 
Os machões se sentiram acuados, e precisaram reafirmar o seu papel, reagindo com violência e ignorância à ameaça feminina. Que são muitos dos casos vistos nos posts.

As mulheres reclamam de ambos os extremos, mas ao mesmo tempo, desejam ambas caraterísticas: um homem sensível, mas de atitude. Artista, mas concursado. Um deus grego, mas que não seja galinha. Que seja cheirosinho, mas que tenha pegada, etc.

O homem arquetípico foi tão “esquecido”, que não é à toa que hoje surge a estética do homem lenhador: cabelo militar, barba longa e tatuado. Ou que livros como 50 tons de cinza ou Crepúsculo façam sucesso. Como nosso velho Freud dizia, tudo que é recalcado, uma hora retorna.

“Ser homem é cada vez menos um estado da natureza, e cada vez mais um problema a ser resolvido”, do excelente livro “Homens no Divã”

Assim, mulheres criaram seus filhos desqualificando o masculino, somando com a ausência do seu pai, que envergonhado e excluído, não soube ensinar o menino como ser homem, e tratar adequadamente uma mulher. As consequências são vastas: os meninos se tornam violentos, vão presos, formam gangs, misógenos, abandonam escola, desemprego, passam o dia jogando video-game, mergulham nas drogas, procurando desesperadamente alguma forma de viver a sua masculinidade além de ver futebol no bar.

Se indignem e se libertem da opressão milenar patriarcal, mas saibam que vocês estão muito “a frente na corrida com os homens”. Mulheres estão buscando muito mais terapia, auto-conhecimento, já são a maioria no ensino superior, possuem mentalidade acolhedora, estão formando grupos de mulheres, etc. A nova liderança será sem dúvida feminina, e nem precisará de cotas!

Mas não adianta ir na frente deixando os homens para trás, pois as mulheres sofrem muito com esse desequilíbrio. Se na revolução feminina as mulheres ganharam autonomia e uma vida pública, a dos homens será a descoberta da intimidade, conquistando o espaço interno. Essa é a difícil revolução que nos aguarda.

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