Regressive left: quando a esquerda radical é a nova conservadora

Admito que fiquei feliz ao encontrar esse termo, chamado “Regressive left”, algo como, esquerda retrógrada, resumindo muito bem o rumo radical que a esquerda vem tomando, e que possui grande semelhança às origens dos regimes totalitários pré-guerras.

Apesar de haver uma grande confusão nos termos originais de esquerda/direita, vamos utilizá-los aqui no maior senso comum, generalização e simplicidade possíveis: esquerda como liberdade e mudanças futuras. Direita como conservação da ordem anterior.

Passados 200 anos da vitória do belo slogan “liberdade, fraternidade, igualdade”, o que vemos hoje, é uma total inversão, gerada a partir da radicalização de bandeiras inicialmente legítimas.

Após a extinção da monarquia, um novo demônio opressor precisou ser criado para alimentar o fogo revolucionário: o capitalismo selvagem, grandes corporações, poluição ambiental. Mas esqueceram que as mega corporações capitalistas só foram possíveis através da parceria com o governo, que legitima suas ações perversas através de lobby, compra de votos, proteção da lei, etc.

Como a esquerda nunca poderia admitir que o caminho correto seria a lógica diminuição do Estado, precisou criar a fantasia que, através da ampliação estatal, iria diminuir os mesmos problemas gerados pelo próprio Estado. A mesma “lógica” de um alcoolista querer curar seu alcoolismo com mais álcool.

A contradição é que, no meio do caminho da luta pela liberdade, subitamente, a liberdade parece ter ido longe demais, e agora, a palavra virou sinônimo de ameaça, opressão aos pobres, destruição do meio ambiente, e precisa ser controlada. No final, alguns (oprimidos) passaram a ter mais direito à liberdade do que outros (opressores).

Assim, na sua luta contra a opressão, a esquerda acabou criando mais opressão. Sob a justificativa de mudanças “a qualquer custo”, se cegou aos seus efeitos colaterais: mais controle, mais guerras, mais desigualdade. Ou seja, a esquerda hoje “conserva” os valores de um passado autoritário, tomando um caminho de retrocesso, apesar do discurso contrário.

Devido a essa dissonância cognitiva, são pouquíssimos grupos de esquerda que estão cientes do Novo Leviatã, muito pior que o absolutista, e que se situa muito acima das grades corporações: a Nova Ordem Mundial, KGB russa, famílias Rothschild, Rockefeller, clube de Bilderberg, etc, projetos globalistas que combinam o pior dos dois mundos: capitalismo selvagem, e controle político. E hoje, é uma causa combatida pela direita.

O pensamento conservador, como esperado, se manteve mais fiel a suas origens. Hoje, vemos as bandeiras da velha-direita, como intervenção militar, anti-homossexualidade, volta da monarquia, etc, desaparecendo através das novas gerações, que misturam uma renúncia a centralização estatal, com liberalismo econômico para pobres, pró-liberdades individuais, como descriminalização de drogas, casamento gay, liberdade de discurso, etc, com pautas de progresso muito mais sólidas e embasadas.

Ou seja, a esquerda, que antes lutava por direitos e evolução social, hoje, adquiriu uma compulsão violenta e histérica por uma agenda futura, mas que ninguém sabe responder suas perguntas essenciais: o que é o fim da opressão? Como todos terão iguais oportunidades? Enquanto não possui resposta alguma, pois se encontra no futuro imaginário, ela precisa apelar ao totalitarismo, nos velhos moldes dos “fins que justificam os meios”, para talvez mostrar que a sua premissa inicial estava certa.

Precisamos parar, refletir, e admitir que a esquerda, apesar das suas diversas conquistas e excelentes críticas sociais, hoje, ela passou do ponto. E ao meu ver, está seguindo as mesmas trilhas que levaram a morte de 170 milhões de pessoas em menos de um século. Exagero? Estamos revivendo a criação da ideologia do inimigo, incentivando o relativismo moral, uniformizando o ensino, multiculturalismo forçado. As semelhanças com a preparação dos movimentos totalitários são claras demais para passarem despercebidas.

Apontar erros e querer mudar o mundo é fácil. Difícil é utilizar uma razão sóbria para que isso aconteça. Liberdade de pensamento talvez seja a maior conquista da humanidade, a mãe dos maiores progressos coletivos e pessoais, e a sua perda seria o retorno às cavernas. Ou mais provável, prisões.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Erik von Behr’s story.