Me sinto extremamente contemplado pelo seu texto.
De fato, é enfadonho ser questionado o tempo inteiro às vezes sem dar a menor confiança pro sujeito sobre o estatuto da sua relação. Sabe o que eu ouço com frequência? Eu não conseguiria. O curioso é que essa frase sempre é dita voluntariamente, sem eu perguntar nada pra ninguém. É automático, alguém percebe a situação ou ouve uma história e solta imediatamente: Eu não conseguiria! Foda-se, haha! (Isso é pessoal, mas estou dividindo porque acho que você entende, haha. Não sei se é uma coisa que acontece só entre gays também, talvez seja.)
Sobre o texto, eu só prefiro adotar a seguinte abordagem: de que relações já são abertas de antemão, e que “aberto” ou “fechado” são rótulos que exprimem uma falsa oposição. Assim, eu falo que tenho “relacionamento aberto” pras pessoas entenderem qual é, mas pra mim todos os corpos já estão abertos e as relações de saída suscetíveis à abertura, ainda que alguém afirme com unhas e dentes que é “monogâmico” — o que significa, como você lucidamente pontuou, que às vezes a gente só está curtindo ficar com uma pessoa, e isso é okay, porque viver num mundo feito de aberturas implica justamente numa variedade de possibilidades, e uma delas é essa (e ainda assim não falaria que estou “monogâmico”, não faria sentido pra mim). Mas o ponto é: são categorias, certo? Categorias dão inteligibilidade ao mundo, por isso as usamos. Mas temos que reconhecer seus limites. Eu não vejo então “relacionamento aberto” como uma opção, mas mais como uma abordagem. Acho que a opção é encarar a fita, né?
Muito obrigado pelo texto!
Bjs de luz
