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Toda vez que me deparo com discussões sobre trabalho sexual fico louco com o grau de complexidade que algumas reflexões demandam. De fato, um ponto que me parece muito delicado dentro da discussão das feministas é lidar com a dicotomia agência versus assujeitamento dentro de um mundo absolutamente misógino. Por um lado a condição de precariado das trabalhadoras sexuais tem afinidade com uma estrutura de chantagem financeira já que seus clientes são homens. Para mim que tenho proximidade com o universo dos garotos que atendem homens, vejo que o estigma e a falta de segurança pesa menos sobre os trabalhadores sexuais do que suas colegas cis ou trans. Por outro lado, assim como você menciona utilizando as vozes das próprias trabalhadoras sexuais, exercer com liberdade o trabalho sexual pode ser uma modalidade de direito; escolher dispor do corpo de maneira consciente pode ser uma modalidade de empoderamento. Contudo, apesar da tomada de reconhecimento de uma postura feminista-crítica-pró-sexo, fica difícil delimitar a opressão e os limites da exploração de homens sobre mulheres, no que tange ao estigma ou à segurança do trabalho.

Fico muito feliz quando acesso esse debate levando em consideração todos os matizes. Parabéns pelo texto!

PS: Que delícia a tua escrita! >,<

PS²: O livro da Amara Moira, E se eu fosse puta?, é uma ótima referência para debater essas coisas.

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