Na parte escura do quarto
As almas que correm em meu quarto
Escrevem cantigas nos cantos das minhas paredes.
Umas parecem choros antigos,
Outras são glórias de guerra
Glórias das lutas de espadas
Das barbáries mais belas de outrora
Cantigas mais viscerais que os toques dos lábios,
Quente como juras de ódio
E aqui, no meu lado, na parte escura do quarto
Há vozes mais antigas que os meus primeiros sonhos,
Escritos mais doloridos que o pranto de mãe!
Como se as vozes fossem minhas,
Tenho na cabeça um preço marcado por sangue
Uma recompensa maldita que carrego no peito
Um gosto em minha boca amarra todo esse amargor,
Um gosto de dores que nunca vivi, mas são tão minhas
Carrego na língua uma mordida salgada,
Sombria como beijo derradeiro,
Um pranto que percorre minh’alma
Um choro que guia minha mente