O ultimo para ela antes dos próximos
Sinto que estou distante, de forma não vista antes;
Sigo repetindo os mesmos passos.
Apenas aprecio o momento,
A finitude perpétua.
Ainda sinto o cheiro em teu sorriso
E teus dentes mentem de maneira formidável.
Batem, ladram, arrancam o pouco de sanidade que me resta.
Entretanto, que diferença faz?
As coisas terminam, disso sei bem,
As coisas também nem começaram.
Que diferença faz? Não foi preciso começar,
Estive tão cansado antes.
Começar cansa!
Ah, como cansa…
Muito mais divertido era ver tua cara e rir pela simplicidade da cena,
Engraçado era fazer graça da falta de necessidade.
Quando precisou ser sério simplesmente corri,
Fui para um canto
Com minha gaita e meu punhal,
Nunca aprendi a tocar.
Mas em meu peito, tantas coisas correram
Que era quase impossível permanecer de longe.
Entretanto, quase impossível
Ainda é possível.
E, apesar de não ser engraçado, ou prazeroso,
Parece mais interessante.
Sigo pensando sobre as coisas que não fizemos,
As que não poderemos fazer.
Ainda vejo teus dentes, e ouço tua voz,
Apanho ainda da tua cara e percebo que a seriedade é minha lápide.
Aprecio a finitude do mundo,
Não posso ser preso. Não devo.
Relacionamentos são aquelas coisas,
Mas você apareceu.
Eu fugi.
Entretanto, não fiquei solto.
Estou acorrentado ao seu calcanhar
E meus vinte anos vão morrendo lentamente.
Gostaria de um cigarro,
um que fosse suficiente para queimar a alma profundamente.
Mas meu batom chama por ti,
Não sei como fazer para não manchar teu riso.
Para sempre estarei nesta dúvida que corrói meus ânimos.
Abandonar a ilusão da liberdade?
Borrar teus lábios?
Dançar um frevo nesta quarta tão cinzenta?
O carnaval está acabando,
Estou indo embora.
Voltarei
Com todas as promessas precipitadas que fiz.
Serei para ti a finitude perpétua
E, tu, cantarás em meus pensamentos.