Formigas, café e bolhas

Pela parede um fio preto escorria e desembocava no granito branco. A pia formigava. Ao lado, o metal da leiteira acolhia as chamas do fogão. Imóvel, ainda, a água. O preto das formigas rabiscava o granito enquanto o pó de café divergia com o branco do filtro de papel.

Logo, as primeiras bolhas começaram a se desprender do fundo da leiteira rumo à superfície, agitadas. É melhor passar o café sem ferver a água completamente, preserva mais o sabor, dizem.

Formigas fervilhavam e não se incomodavam com o café de ontem, jogado fora na pia. A água em dúvida, se o café ou as formigas. Ambos em cima da pia. As bolhas apreensivas. Golpeado pelo ponteiro, o número sete apontava sete em ponto. A água no ponto. Bem quente escorreu o café exalando seu aroma. Não tenho o costume de matar de manhã.

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