dopamina
fragmentar. anular. extinguir.
apenas esses três verbos definem o que minhas tentativas de te tirar de mim querem ultimamente. fragmentar todos os sentimentos, tornando-os tão pequenos a ponto de se anularem as sensações em mim e aos poucos se extinguirem.
não quero mais sentir você me arrepiar como sinto quando o vento nordeste dessa cidade se esforça para me arrancar do chão. não quero mais sentir o corpo estremecendo como se eu fosse perder todo meu equilíbrio quando você se aproxima. não quero mais a falta de ar constante, o coração descompassado, o silêncio baderneiro e o súbito sorriso que aplaca em meu rosto ao te ver chegar de mansinho, sem pretensão alguma.
eu não quero mais sentir você, porque de tanto te querer me perdi do verdadeiro eu que me compunha e tudo tornou-se reflexo de você. meu riso agora é dependente de um gesto doce teu, do teu toque nas minhas mãos e do enlear do teus braços em mim. não quero mais sentir você em mim porque posso tocar todo o mundo com uma só mão que ainda me parece tão pouco se não posso tocar a ponta dos dedos no teu rosto e te sorrir um sorriso amarelo-tímido.
eu não quero mais sentir você em mim e toda vez que penso nisso te sinto e te respiro como quem precisa do ar pra respirar.
e não, eu não quero ser dependente, mas tanto o açúcar, como a cocaína e você são capazes de elevar a dopamina de qualquer um. e, sinceramente, você parece a mais nociva e eu aprendi a gostar do estrago.
