fora de órbita
eu nunca me encaixei. sempre me senti fora dessa órbita que te pertence e distante o suficiente para bloquear toda e qualquer investida do destino intencionada em me ver com a cabeça nas nuvens e os pés totalmente afastados do chão. habito meu próprio planeta, com os pés cravados no terreno mais seguro possível. lugar esse onde as minhas normas contra visitantes sempre foram eficazes, sempre.
até você aparecer e me raptar.
foi nesse momento que imaginar dedos entrelaçados não me pareceu tão assustador quanto antes e eu tremi, me assustei de verdade. meu sorriso frouxo agora era firme e me espantou muito o fato de que o resto de toda a galáxia não tenha parado tudo para te observar tanto quanto eu faço agora.
não é ridículo? você me fez aterrissar em um novo planeta, mas tornou possível meu voo e me pôs a flutuar com tua calmaria tão admiravelmente barulhenta. senti as nuvens tocando meu rosto com a mais doce delicadeza que há nesse tão vasto universo e perdi o alicerce sob os meus pés.
eu, em pouquíssimo tempo, só queria orbitar em ti.
obs:. ninguém muda por amor. é o amor que torna-se viável para a gente.
