Igreja
Formato espiral e em mármore negro.
Desconforto ao tentar manter-se em pé. Todos estão doentes. Escorre pelos seus olhos a água que encharca suas vestimentas pretas. Parecem estar de luto por suas próprias almas. Alguns sentam-se cansados e pensativos em busca de um valioso sentido. É uma cena silenciosa, perturbada pelo barulho intenso das mentes perdidas.
O feixe de luz é insuficiente para clarear. Não se sabe quando é dia e quando é noite. Eles mal conseguem enxergar a si mesmos. Tudo o que eles têm é a pouca luz mortífera na tentativa desesperada e falha de iluminar o vazio.
Respiração ofegante. Já não se têm o fôlego de antes. O sopro gelado dos fantasmas solitários flutua por todo o ambiente pela eternidade. Seus olhos refletem o trauma de um suave e duradouro pesadelo. Os minutos se passam como décadas, e os pensamentos são os companheiros. As cadeiras pesadas arranham o chão. Todos estão mortos sem ao menos terem morrido.
Os musgos nascem sem aviso prévio — mudam o cenário. Está nublado. Importo-me com o escuro que as paredes altas exalam misturando-se com a fraca luz que juntos formam o que é vida.