O despertar
por Roberta Crispim
No sonho, um amigo dava-me carona e conversávamos alegres pelo nosso reencontro depois de muitos anos. De repente, no cruzamento, eu via um carro sem controle aproximando-se de minha janela. Imagino que um acidente de trânsito aconteça num piscar de olhos, mas no sonho o carro capotava e girava em câmera lenta, crescendo em minha direção. Não me lembro do impacto, apenas de um apagão. Em seguida uma sucessão de flashes: via-me presa entre as ferragens; depois o céu azul enchia meus olhos enquanto era erguida numa maca; por fim, estava com uma máscara no rosto, cercada por estranhos vestidos de azul-marinho e um deles me pressionava o peito fortemente. Eu sentia muita dor e, ao mesmo tempo, a estranha sensação de estar me diluindo. Fechei os olhos e ao abri-los novamente, vejo agora um túmulo coberto de coroas de flores ainda frescas. Olhando o meu retrato, recuso-me a aceitar que não foi um sonho.
Roberta Crispim é uma paulistana que cresceu e enraizou-se em João Pessoa. Formada em Comunicação Social e Design de Interiores, desde criança gosta de contar histórias e por muito tempo sonhou tornar-se escritora. O tempo passou e o sonho se transformou em hobby. Hoje, entre um projeto e outro, usa a escrita como uma forma de partilhar as leituras que faz de si e da vida.
