Batman vs Superman vs poder de concisão

Uma (anti) lição de storytelling disfarçada de pior filme de 2016

Quem nunca ouviu dizer que “toda unanimidade é burra”?

Ah, Nelson Rodrigues! Você mudaria de ideia se pudesse antever “Batman v Superman: Dawn Of Justice”, um raro caso em que todo mundo concorda e tem razão.

O vencedor do último Framboesa de Ouro é uma bagunça e, como fã, lembro de sair frustrado do cinema. Mas, como redator, reconheço que a experiência foi bastante educativa.

Observando com atenção, sob os escombros de Metropolis e Gotham City, encontrei uma inestimável lição de storytelling que compartilho agora com você.

Uma aula do que evitar na hora de escrever.


Tudo que escrevemos para alguém é storytelling. Assim, quase todo texto está sujeito ao pecado mais escandaloso do filme da DC: o excesso de assuntos.

Com suas 3 horas de duração, BvS é grande, mas não é dois. No entanto, o roteiro do premiado Chris Terrio recebeu a missão de:

  • Continuar a trama de “Man Of Steel”, mostrando a repercussão da Batalha de Metropolis;
  • Introduzir um novo Batman e justificar a rivalidade entre os dois heróis;
  • Servir como prelúdio à formação da Liga da Justiça.

Em meio a esse tumulto, o filme ainda se propôs a apresentar personagens inéditos, sequências de sonho e “MARTHA”… como esquecer “MARTHA”?

Com tanta informação transmitida ao mesmo tempo, não espanta o filme ter sido um fracasso. Bombardeados por uma profusão de mensagens simultâneas, não nos conectamos de verdade com nenhuma.

Em suma, a história foi mal-contada. Muita story para pouco telling.

Minha cara vendo Batman v Superman

Contar histórias é um hábito humano por excelência.

Do homem das cavernas grunhindo seus causos em volta da fogueira ao advento da profissão youtuber, sempre apostamos no recurso narrativo para encantar, persuadir ou simplesmente jogar conversa fora.

E quando nos expressamos, tanto oralmente quanto por escrito, nosso primeiro trabalho é escolher o conteúdo a ser comunicado. Porém, vale ressaltar, toda escolha envolve infinitas renúncias.

Se você quer escrever sobre Batman e Superman, atenha-se a eles: é história suficiente. Como a Liga da Justiça começou é outra história. A morte do Superman é uma terceira, e assim por diante.

O que deixou BvS incompreensível foi confinar possíveis 3 ou 4 ótimos roteiros em um só filme meia-boca. Para qualquer tipo de redação, a falta de concisão pode ser muito mais letal do que kryptonita.

Quando nos aventuramos a tratar muitos assuntos diferentes no que escrevemos, a linha que separa a informação da encheção de linguiça se torna perigosamente tênue. Portanto, no e-mail para seu cliente, no post do Facebook da sua empresa ou na mensagem de Whatsapp para um fornecedor, seja claro e vá direto ao ponto.

Hoje, a redação faz parte do processo seletivo de muitas empresas e a sequência lógica de ideias é um dos fatores mais observados, reprovando até 70% dos candidatos.

Construa seu raciocínio com introdução, desenvolvimento e conclusão, e o que você escreve será à prova de bala. E, mais importante, à prova de burro. Começo, meio e fim: pode parecer uma fórmula antiquada, mas funciona.

Acima de tudo, defina seu assunto. No romance “O Retrato de Dorian Gray”, Oscar Wilde diz que “definir é limitar”. Mas, para mortais como nós, limites não são vilões.

Limitando seu texto a uma ideia central, você ganha o poder de salvá-lo de uma catástrofe retumbante. Ao melhor estilo Zack Snyder.

Sua cara escrevendo sem frescura

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