Cartas na mesa

Eu sempre me perguntei como as pessoas saem do “eu te amo” para o simplesmente nada. Não me interpretem mal. Todos nós sabemos que é possível amar e desamar alguém, mas eu tenho percebido que este tipo de mudança tem acontecido com mais frequência. Casais não conversam mais, amigos sentam-se à mesa e não abandonam seus celulares. O sociólogo Zygmunt Bauman tem mesmo razão: o amor se transformou em algo líquido.

Primeira página do livro “As veias abertas da América Latina”, de Eduardo Galeano. Foto: Cinthia Fonseca

Quando comecei a me entender como gente, idealizei relações. Imaginava pessoas compartilhando medos, angústias e dúvidas, compartilhando uma vida juntos. Com o tempo eu percebi que ninguém quer ter esse trabalho, todos preferem partir. Levam consigo a dor do outro, o próprio sofrimento e uma carga pesada pronta para ser despejada no próximo relacionamento.

A vida a dois não é nada fácil. Ela é cheia de dúvidas, erros e incertezas. Mas tem seu lado positivo. Não há regra. Cada um sente de uma forma. Alguns mandam flores, outros escrevem poemas. Eu prefiro os amores que colocam as cartas na mesa.

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