Cidade vs Selva

Meu humor oscila no decorrer do dia. Há momentos em que estou em paz. Noutros, apenas me sinto cansado. Se saio de casa, me sinto mal. Sempre. O tempo todo. É como se eu não fizesse parte do entorno. Como se apenas resvalasse por ele. Eu e ele não nos misturamos. Estou ali mas não estou. O sol incomoda, a roupa incomoda, o suor que começa a escorrer pelo corpo incomoda, a luz incomoda, os carros incomodam, o asfalto incomoda, os prédios incomodam. Mas eu gosto das pessoas. Até certo ponto. Se há um momento em que me sinto bem, novamente, é quando converso. Minha fala sou eu. Quando falo, sou eu, de novo.

Parece que a vida até aqui foi um passeio de bicicleta. Foi tudo ótimo. Leve, divertido. E eu não levei nada a sério. Eu só me divertia, o tempo todo. Mas parece que eu derrapei, e caí. E todos seguiram em frente, e me deixaram aqui. Ferido. Sequer olharam pra trás. Ou olharam, mas sequer diminuíram o ritmo. Quando ergui a cabeça, ainda zonzo, já iam longe.

Agora, sozinho, às vezes me sinto bem quando estudo. Estudar é bom. Mas quanto mais estudo, mais me entendo, e quanto mais me entendo, mais entendo que não é de estudo que preciso. Eu sei que não devia estar aqui. Eu devia estar na selva. Lá é onde me sinto bem. Onde sinto que faço parte do entorno.

Onde a terra agrada, o matagal agrada, o vento agrada, o rio agrada…

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.