Sobre por que escrever, e para quem escrevo

Hoje eu estou pensando sobre para quem eu escrevo, e por que escrevo. Minha experiência com este blog e com outros me sugere a possibilidade de criar duplos de mim mesmo. Como deixar as palavras capturarem minha personalidade. Como manter outro lugar onde eu possa estar sempre presente, acessível. Talvez até mais real e mais revelador de mim mesmo que minha própria presença, minha figura, minha voz, minha manifestação mais direta e imediata, meu corpo e minhas ações visíveis.

Mas não é exatamente por isso que escrevo aqui. Em “O Zahir”, Paulo Coelho escreve o seguinte (é uma fala do protagonista da história): “Por que escrevo? A resposta verdadeira é a seguinte: escrevo porque quero ser amado”.

Penso que o desejo de ser amado está sempre por trás de qualquer atividade artística. É boa parte de toda a motivação. Talvez a maior parte, talvez a menor. Eu não sei.

E porque não me identifico nesse espaço? Por que escrevo anonimamente? A resposta verdadeira é a seguinte: por medo do ridículo.

Não é contraditório. Mas sei que não me identificar afasta leitores. Afasta talvez apenas por transmitir covardia. Talvez por impedir que alguém se atraia pela identidade de quem está por trás das palavras.

Se eu puder ser admirado pelo que escrevo aqui, certamente passarei a me identificar apropriadamente. Passarei até provavelmente a me valer disso para promover meu nome, para atrair mais e mais admiração. Por hora ainda me sinto inseguro. A esmagadora maioria do que leio de outros autores em espaços dessa natureza me parece ridículo.

Eu sempre tive problemas com precisar ser amado, ou, mais ainda, com o parecer precisar ser amado. Também não é nada contraditório dizer que eu quero ser admirado como alguém que não sente nenhuma necessidade de ser admirado. Eu admito.

É uma parcela de meu ser que não admiro: a necessidade de ser amado. Considero uma fraqueza. Mas estamos sempre expostos a ela. Me torna dependente do outro, faz com que precise adequar meu comportamento ao que os outros vão pensar dele. Considero quase humilhante.

É um pensamento arrogante, mas faz parte do que eu sou.

O curioso é que fazer questão de não demonstrar que me importo se torna uma preocupação extra, e às vezes por isso preciso ser mais vigilante quanto a como me comporto do que alguém que não se importa nem um pouco com esse detalhe em particular. Alguém que não se importa com isso pode até agir mais naturalmente. Então me importo mais do que ele com o que os outros vão pensar? Provavelmente. Eis uma contradição.

A dúvida quanto a por que e para quem escrevo está sempre presente, a cada parágrafo, a cada frase. Não quero me importar, mas me importo.

Quando começo a escrever aqui, nunca sei onde vou parar. Hoje cheguei nesse ponto. Vou confessar o que detesto admitir: estou o tempo todo a implorar intimamente que me leiam.

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