Minha escolha pela foto deste texto nao foi aleatória. Para inaugurar mais um espaço de sublimação (!!!), articulo a um dos pontos principais dos quais considero combustível para minha escrita: escuta analítica.

Não há nada mais libertador do que esta experiência em que qualquer sujeito pode (e deve) experimentar quando possível. Possível, porque nao é da ordem do querer, apenas. É do desejo. E tambem da disponibilidade. Você está disponível?

A escuta analítica (nas duas vias: de quem fala ao analista e quem escuta o analisando) é de fato algo inspirador! Imaginem vocês o que um analista não escuta — e escuta — em seu consultório dia após dia. Só recebendo (pagamento) para sustentar uma prática tão impossível. Entendam, esse pagamento tem uma referencia simbólica, logo, não se refere apenas ao dinheiro em si. Aos desavisados, a psicanálise não é uma prática "linda e altruísta". Ela é da ordem do impossível.

Me façam um favor, tirem essa ideia romântica e idealista da cabeça.

Não é à toa que todo analista — que se preze — saiba sobre as tragédias gregas (Édipo, Antígona, etc). Freud sempre recorreu aos mitos para ter respaldo ao se debruçar sobre as questões do sujeito e da cultura. Não pensem também que os mitos gregos e as tragédias nada tem a ver com a gente. Tem!

Bom, voltando a questão da disponibilidade, que parece ser algo simples,mas não é. Incrível como as vezes sabemos que queremos muito que algo dê certo, ou aconteça — quem nunca desejou passar numa entrevista de emprego, por exemplo — mas só que às vezes aquele plano não se concretiza. E a gente insiste, insiste e nada. Bem, talvez esteja na hora de parar e analisar um pouco mais afundo a questão…Seres humanos são complexos né?

Se eu quero tanto que algo aconteça, porque tenho atitudes que me levam para o lado oposto?

Esse é o enigma do sujeito. E tambem a difrenca ente desejar e querer. O que eu quero pode não ser o que desejo. Louco isso, não? A princípio, pode parecer loucura, mas é so a nossa complexidade enquanto seres falantes — de linguagem — que tentam lidar com seus desejos inconscientes.

Ah! a linguagem, nem me façam entrar nesse ponto agora, porque dá pano pra manga, mas deixo uma notícia aqui para vocês de um autor que admiro muito — Lacan — que diz que:

"o inconsciente é estruturado como uma linguagem."

Uma das novidades que ele diz com isso é que, aquela ideia arcaica de que estão inconscientes os pensamentos mais obscuros e que lutamos para deixá-los nas "trevas psíquicas", precisa de uma nova leitura. Bem, ele diria que o inconsciente está posto e dado, está na superfície, aparece de várias maneiras: sintomas, sonhos, atos falhos, chistes, etc, etc, etc. Só que eles precisam ser lidos, sob transferência (em uma análise).

Como sempre, me vejo numa excitação psíquica ao abordar tais temas. Porém, me encerro aqui para fechar com o motivo inspirador da minha volta a escrita.

A escrita para mim é algo que tem a ver com o verbo "estar". Estou inspirada por algo, estou disponível para escrever, trata-se de um estado, e claro, muito a ver com o desejo. E, para desejar, preciso que algo em mim esteja em falta! Então, algo falta para que eu resolva expressar em palavras aquilo que eu nem sei ainda o que é. Só assim nasce o desejo, de uma falta. Nesse caso, desejo da escrita.

Esse texto inaugural no Medium é um piloto (testando, 1,2,3…), eu realmente não espero nada dele. Aliás, espero que a partir desse primeiro passo, a falta mantenha-se presente, para que eu possa sempre romper o silêncio e escrever aqui minhas escutas.

Ps.: Sobre a foto que eu acabei nem explicando o motivo: Minha intenção era falar também da expriência de viagens e o quanto isso pode ser inspirador, mas resolvi escrever sobre isso depois [eu e minha faltas].

Quem quiser me acompanhar pega uma carona na bike e vem…

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