O tempo voa, amor!

14 dias parecem muito mais quando se está milhas e milhas distante

Malahide Beach, em Dublin (Foto: arquivo pessoal)

Passaram-se duas semanas da minha jornada aqui em Dublin, completas neste domingo (16). E se me pedissem pra escolher uma trilha sonora por ora? Diria que Tempos Modernos, do Lulu Santos, é uma boa pedida — o tempo tá realmente voando! Observo, dia após dia, que a experiência na Irlanda tem sido extremamente proveitosa e enriquecedora, em todas as vertentes. Pelas novas amizades, pelo desafio em si, pela evolução no inglês etc.

Na segunda semana, percebi que a comunicação com as pessoas de outras nacionalidades melhorou bastante. O “modo automático” de falar tem começado a se apresentar em algumas situações, e é muito gratificante quando isso acontece. É óbvio, porém, que tenho muito a melhorar nesse sentido. Mas penso que a ansiedade e o nervosismo pra conversar, como nos primeiros dias, têm começado a ficar de lado.

Esses últimos sete dias foram muito intensos por aqui. Pude viver várias coisas sensacionais. Vou tentar listar algumas que lembro:

“O teste de mísseis nucleares é normal”

Quem me conhece de verdade sabe o quanto gosto de esporte (até falei um pouco disso no meu último texto aqui no Medium). Mas, com a diversidade de culturas existente em Dublin, também tenho uma enorme vontade de dialogar sobre outros assuntos, para entender melhor o que se passa na cabeça de quem vive, de fato, determinados contextos.

Nessa semana, por exemplo, tive a oportunidade de conversar com um sul-coreano, que prefere ser chamado de Josh. Mesmo na correria, tenho lido algumas coisas a respeito do preocupante “morteiro” envolvendo Síria, Estados Unidos, Coreia do Norte e Rússia.

Questionei o Josh sobre a existência dos potentes mísseis nucleares no país vizinho ao seu, comandado pelo ditador Kim Jong-un, e se a situação lhe causava temor.

“Isso, para mim, já é quase que normal. Eles testam os mísseis nucleares no mar praticamente todos os dias”, contou o asiático, emendando que acredita na possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial.

Hala, Madrid!

Ah, a conversa com o Josh foi no Woolshed Baa & Grill, um pub também conhecido como “Australiano” para os brazucas de plantão por aqui. O papo ocorreu enquanto assistíamos as ótimas partidas da Uefa Champions League, sobretudo Bayern de Munique x Real Madrid. O clima era, definitivamente, do Santiago Bernabéu, com direito a cânticos e festa!

(Foto: arquivo pessoal)

Embora nós brasileiros sejamos fanáticos por futebol, confesso que nunca vi algo parecido em algum bar verde-amarelo.

No final das contas, eu, que simpatizo muito mais com o Barcelona, do trio MSN, me rendi e coloquei um cachecol madrilenho pra tirar foto com os espanhóis.

E por falar em trio MSN, descobri, ao visitar o gigante e moderno Aviva Stadium, nesta movimentada semana, que em 4 de junho teremos um amistoso entre Irlanda e Uruguai por lá. Espero estar presente para ver Suarez, Cavani e cia.

Praia de calça jeans e moletom

Pela primeira vez na vida, fui à praia — com alguns amigos brasileiros da minha escola — e passei frio. Numa parte da costa irlandesa, há uma, chamada Malahide Beach. Em minha humilde opinião, mais parece uma represa, mas tudo bem. Sem problemas, pois a vista é sensacional, principalmente porque tivemos sorte de pegar sol, mesmo que bem de leve e praticamente inútil diante do vento forte.

Depois de quase afundar na areia de Malahide Beach (Foto: arquivo pessoal)

Curiosamente, numa das placas com informações sobre a praia, havia um escudo da Chapecoense colado. O time do Índio Condá, realmente, tem quebrado barreiras e fronteiras, tornando-se mundialmente conhecido. Falando nisso, li agora pouco que o Verdão do Oeste conquistou o primeiro título após a tragédia de 29 de novembro do ano passado. Fiquei muito feliz!

Almoço de Páscoa alone

Apesar de ter sido uma semana espetacular, confesso que bateu uma pequena bad neste domingo. Acostumado a passar a Páscoa em família, com mesa farta, desta vez meus companheiros foram o resto do jantar de sexta-feira (14), e Chão de Giz, do Zé Ramalho. Soube, ainda, que a filhinha do meu tio Eduardo acabara de nascer pela manhã, nesta data tão abençoada. Por alguns meses, só poderei vê-la por fotos enviadas no grupo da família.

Nem tudo são flores, mas, no geral, só tenho a agradecer por tudo que tem acontecido. Aproveitando, novamente, a canção do Lulu, citada acima, tenho certeza que “eu vejo a vida melhor no futuro”, graças ao que estou vivendo. Se você chegou até aqui, bora viver tudo que há pra viver também!

Feliz Páscoa a todos!

Abaixo, mais três fotos da semana:

(Fotos: arquivo pessoal)