Estar em 2015 foi estar no futuro?

As utopias e as distopias, em literatura e no cinema, parecem nos ter feito crer que “anos 2000” ou “século XXI” são expressões hiper-futuristas. Nos anos dourados de quando pensamos o amanhã, vislumbramos diversos formatos dos 2000. “Porque estamos em 2015”, respondeu o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau ao ser questionado sobre a presença de deficientes, um refugiado e o grande número de mulheres em seu governo. Uma linda resposta que, com razão, arrancou aplausos dos presentes na conferência.

Dia desses, uma querida amiga relatava com o espanto que deixa seu rosto ainda mais bonito: “Em pleno 2015, casais têm medo de dialogar sobre sexo!”.

Também fico surpreso por ainda existirem algumas questões, algumas inseguranças gerais. Mas por que achamos que estamos tão assim no futuro, distantes do arcaico?

Vamos nos dando conta de que esses números cardinal e romano, 2015 e XXI, são apenas dígitos sem grande densidade. Se eu, com quase 32 anos, sinto-me velho e pouco maduro, tenho a impressão de que os dois milhares de aniversários de Jesus Cristo pouco ou nada têm a dizer sobre avanços. Se um vivente demora para amadurecer, imagine as sociedades, esses amontoados de gente desamparada, definida pelo medo. “Ainda” matamos, “ainda” julgamos o outro, “ainda” cremos em verdades universais, “ainda” posicionamos as aparências no topo do prestígio.

“Em pleno 2015”, quase nada sabemos sobre o amor. Seria o amor algo superado ou algo a conquistar?


Das certezas: concreto, asfalto, ferro, conexão global, split, design arrojado, smartphones 6-X-G-Alfa-Limbo, dois milhares e pouco de números representados no belo 2015 — nada disso fala sobre ser “civilizado”, “moderno”, “avançado”, “livre”.

Que, em 2016, a gente reconheça cada vez mais as nossas infantilidades e/ou velharias.