Crises, mais crises e a decisão pelo tratamento
No fim de 2015 fui contratada para cobrir férias em uma grande agência de comunicação. Feliz com a situação fui exercer as minhas atividades com o maior compromisso e dedicação possível. E assim foi. Estava no fim de um relacionamento que me fez muito mal, mas nada me tirava a responsabilidade de entregar o serviço pelo qual fui contratada.
A primeira crise em 2016
Meses depois, no dia 29.02, voltei à empresa, desta vez, para cobrir a licença maternidade da profissional que estava no local. A mesma em que eu cobri as férias. E durante esses cinco meses tudo parecia ir muito bem, até que um dia a crise de pânico apareceu: taquicardia, falta de ar, tontura e sensação de desmaio. Um ex-colega de trabalho me levou rapidamente ao hospital da cidade (Hospital Municipal Conde Modesto Leal), no município de Maricá, interior do estado do Rio de Janeiro. E, claro, como qualquer mortal voltei ao trabalho no dia seguinte. Afinal, money é good e nóis não have.
A segunda crise em 2016
Desta vez eu fui contratada para cobrir a licença maternidade da mesma profissional, afinal de contas, a empresa estava gostando do meu trabalho.
Só que a crise apareceu outra vez … em uma agência bancária!
Nãoooooooooooooooooooo! Sim. Eu estava na fila para atendimento no caixa, e ela estava demoraaaaando demais, aí entrou em circuito a minha ansiedade. “Ai, meu Deus, que demora! Minha vez que não chega! Droga! Droga!Droga!”. Minhas pernas começaram a tremer, comecei a ter tonturas, as extremidades das mãos dormentes, falta de ar e taquicardia. Mas já estava quase na minha vez.
Ai, chegou …
Mal esperei o atendente dizer “boa tarde!”. Sabe o que eu fiz? Entrei pelo balcão à dentro e procurei uma cadeira para me sentar. Óbvio que ninguém entendeu nada. Mas o gerente geral da agência foi um amor. Me deu um copo d’água, me ajudou a sentar e perguntou o que ele poderia fazer por mim. Pedi que chamasse o SAMU (mas, “infelizmente” o atendimento é apenas para casos que aconteçam na rua). Comecei a melhorar e fui para casa.
E a vida continuou como se nada tivesse acontecido.
Vale lembrar que você não é obrigada (o) a falar sobre isso onde quer que você trabalhe. De qualquer forma, sugiro que quando você for a uma entrevista ou passar pela avaliação médica só fale sobre o seu tratamento se for perguntada (o). É desta forma que eu fui orientada pelo meu médico porque a doença não é incapacitadora, se controlada (SEJA RESPONSÁVEL). Há muito preconceito e falta de informação sobre o nosso caso, então meu bem, evite a fadiga. Agora, mentir JAMAIS!

Cumpri os cinco meses e voltei para casa. E como a empresa estava gostando do trabalho lutaram para que eu fosse efetivada. E fui. Passaram-se outubro, novembro e dezembro. As tonturas voltaram, a sensação de desmaio e muita fraqueza.
Eu lutei por esta vaga. Eu conquistei com o meu trabalho. Mas pedi o meu desligamento em dezembro de 2016. Não foi fácil, mas internamente eu não tinha condições de continuar no trabalho. Eu travava uma luta diária entre ter que trabalhar, não me sentir bem e a involução do meu rendimento.
Comecei a trabalhar em home-office (em casa), como estou até hoje. Achei que seria a solução dos meus problemas, ledo engano.
A crise de 2017 e o compromisso com o tratamento
Estava tudo muito bem, obrigada!
E de repente, em junho deste ano eu fui sacar uma graninha (para mercado) no caixa eletrônico dentro do posto de conveniência bem pertinho da minha casa e … (sim!) mais uma crise de pânico. Então, naquele dia eu percebi que eu não tinha mais controle sobre a minha mente. Chorei muito. Se você passa por isso sabe o que é ter que ficar isolada em casa para não ter crises na rua, afinal, a casa da gente é o único lugar em que a gente não passa mal, é um porto seguro, não representa ameça (assunto do próximo post).
Decidi, então, me cuidar definitivamente. Procurei um outro médico (não o de 2010) e, desde então, estou com ele. Estou fora da crise, tomo as minhas medicações, medito todos os dias, pratico yoga, faço atividades físicas, mudei a minha alimentação. Tenho um novo estilo de vida (assunto para um outro post).
Enfim …
Quero encorajar você a procurar o médico também. Na maioria das vezes, eu achava que estava tudo bem comigo, e não estava. Eu cheguei no meu limite emocional para procurar ajudar e me deixar ser cuidada. Assim estou. Dia após dia, sem pressa, me conscientizando do ritmo do meu corpo, respeitando os meus limites, dizendo “não” (quando necessário) para coisas e pessoas, por fim, não permitindo abusos emocionais, pensamentos negativos, autocrítica severa e fazer milhões de coisas ao mesmo tempo.
Assim como faço a rotina da assepia do corpo, assim também aprendi a fazer a assepsia da mente. Tenho aprendido a técnica da atenção plena e procuro me dedicar a uma coisa de cada vez.
No próximo texto vou falar sobre como as minhas “ameaças imaginárias” aconteciam durante as crises de pânico, o pano de fundo delas, o que eu tenho feito para controlá-las, para além da medicação que é a primeira coisa que eu decidi fazer.
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Até o próximo post! ;)
