E subitamente, não mais que de repente, comecei a escrever. Não foi algo estudado, premeditado, pensado ou até mesmo desejado. Simplesmente posou na janela do quarto, segurei e logo depois deixei que caísse sobre a tela do celular como uma bigorna nos desenhos animados. Digitei e contemplei aquelas palavras ralas e simples que falavam do céu. Mas não se tratava da minha imagem contemplando um pequeno poema de contemplação; mas era a imagem de uma pessoa descobrindo um novo segredo, uma nova forma de olhar e falar com a linguagem do coração. Depois dele vieram muitos; muitos usados, muitos suados, muitos amados, muitos odiados, muitos rasgados, muitos incompletos. O que importa é que o tempo passou sem clemência; eu cresci e as palavras que vinham de mim não cresciam, mas amadureciam. E mais: elas pediram emancipação e passaram a viver sozinhas, independente de papel ou lápis. Elas agora são soletradas aqui dentro e juntando o som de cada vocábulo caoticamente organizado num poema, é possível ouvir as histórias que cada sorriso, cada lágrima, cada sentimento escreveu. É isso que as alimentam e as fortalecem. A grande interrogação é quando morrerão e deixarão de ser tão sentimentais. Não sei a resposta, só sei que não estarei aqui para presenciar isso. Talvez os poemas sejam como filhos: cultivamos aqui dentro, damos a vida aqui fora, cuidamos por um tempo e criamos para o mundo apreciar, quando elas passam a não depender mais do seu progenitor. Então já posso dizer que sou pai.

Escrever é dar liberdade àquilo que deixamos se desenvolver dentro de nós.

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