A Rainha do Baile e os Invisíveis

Se já cansou de ler sobre o assunto, não vá até o fim desse texto.

“Festa” de aniversário de uma mulher de 50 anos. Com alta escolarização, vivência internacional, renomado histórico profissional e livre circulação entre os mais conhecidos espaços do alto PIB brasileiro/mundial.

No Brasil de 08/02/2019 assistimos ao show de horrores apresentado no evento, inicialmente previsto para durar 03 dias usurpando e maculando de todas as formas possíveis símbolos ancestrais de representação de nossa cultura, além da exaltação ao maior crime da história do país, conhecido como escravidão. Ah, mas era uma homenagem à Bahia, disseram.

Muito já foi dito, visto, (mal) explicado, (mal) justificado. Muitos se questionando sobre como uma pessoa tão bem assessorada pôde cometer tamanho impropério. Não havia alguém para alertá-la sobre possíveis consequências?
Aí é que está: Tenho convicção que, adultos que são, todos os empresários, socialites, também representantes da elite “intelectual” brasileira, detentores de capital e acesso a estudo, artistas presentes, TODOS sabiam muito bem o que estava se passando naquele local. TODOS, foram coniventes com aquele ato. A questão é que nenhum deles SE IMPORTA! Não dão a mínima, não ligam, são totalmente indiferentes às nossas dores.
Para eles, somos invisíveis. Entendeu agora como funciona? Bem vindo à estrutura que sustenta e movimenta a sociedade desde sempre: O RACISMO. O crime que mais compensa no Brasil e com a pena mais branda: basta pedir desculpas (nem precisam ser sinceras).

Pessoalmente não tenho esperança alguma de vencer essa estrutura a curto prazo. 
Por isso, meu trabalho, movimentos, ações, são todas baseadas no aqui e agora, sobre de que maneira conseguimos movimentar algumas bases e galgar alguns passos na pirâmide social. Por isso também é que penso na tecnologia, que a meu ver parece ser o mais rápido, viável e escalável pra isso.

Mas deixo aqui um questionamento, que talvez sirva de reflexão para pessoas não negras que se consideram antirracistas: Qual foi a última vez que leu uma autora negra? Foi a um evento feito por pessoas negras? Consumiu algum produto ou serviço de empresários negros? Leu um livro infantil com contos africanos para seu filho? Apoiou financeiramente algum projeto de pessoas negras? Qual foi a última vez que você não foi racista?

Analisem esse cenário. Pensem a respeito. Tentem, por mais difícil que seja, refletir sobre como as pessoas se sentem. Tentem imaginar as pessoas passando por isso uma vida inteira, anos a fio. Sobretudo pensem sobre o quão fortes e melhores essas pessoas tem que ser pra dar conta de viver num mundo que as odeia, mas mesmo assim as querem alegres, felizes, produtivas, sagazes, ambiciosas e profissionalmente impecáveis.

Se você é uma pessoa branca que fala, pensa ou escreve sobre diversidade, esse é um bom momento para se posicionar ALÉM da mídia. É hora de se declarar como ser humano e estar do lado certo da luta TRABALHANDO efetivamente pela mudança.

Como disse a maravilhosa Monique Evelle, “aliado é uma categoria instável e eu não tenho amnésia histórica.”
Assim como ela, eu não quero viver sob a demanda do racismo. É exaustivo.

Sigo trabalhando muito pelo que acredito, pelo que posso, pelo que vejo valor, pelo que me engrandece e pelo impacto positivo que conseguir causar na vida das pessoas. 
Sobretudo, sigo trabalhando pelo que coloca o leite na mesa do meu filho.

E você? Faz o que?

Andreza “Deza” Rocha

Esse é meu primeiro texto no Medium. Ainda não havia publicado nada, não sei porque…todos os meus textos guardados pra mim. Bom, sempre há tempo de começar e aos poucos, vou publicando. Não espere constância, eu não quero/pretendo me encaixar. Vamos vivendo, lendo, escrevendo, aprendendo!

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