Não vida

A chuva caía de forma rápida e voraz, as gotas batiam sobre o teto de madeira com tamanha força que traziam lembranças das noites de trabalho sujo na forja. Aqueles tempos pareciam tão distantes para ele que embaralhavam suas recordações. Quem eram seus amigos? Seus amores? Seus desafetos? Suas vítimas? Tudo ficou no passado, tudo ficou no fundo de um poço de desgraça e angustia. Hoje, sentado na cadeira velha que achou jogada no lixo, morando nas “sobras” do que um dia foi uma casa, só reunia apatia e desinteresse em seu olhar. Aquela realidade era alternativa, e não refletia em nada a terrível história de sua não vida.

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