A Síndrome do Impostor é real 
(e é uma merda), mas tem solução.

“SAUL STEINBERG: TODOS USAM UMA MÁSCARA, REAL OU METAFÓRICA”

Eu nunca fui aquela pessoa que deu certo em tudo. Que quis fazer um curso e foi lá, passou de primeira. Cursou, formou, foi pra melhor empresa, conseguiu o melhor lugar na pós graduação, nada disso. Não, esta não sou eu. Eu sempre fui a pessoa que foi, tentou, tomou um pau, caiu umas 12 vezes e levantou, desistiu, quis tentar de novo, e por aí vai. O lado bom disso tudo é que eu nunca acreditei que seria essa pessoa outstanding. Porém, o lado estranho (não ruim) é que eu sempre fui uma pessoa que estava no meio dessas pessoas naturalmente bem sucedidas - e constantemente me perguntando: “por que elas me ouvem? por que elas valorizam algo em mim?”. Era estranho.

Aí, um belo dia resolvi mudar (um beijo pra Rita) e parar de questionar a minha capacidade ou valor que os outros davam para mim e comecei a questionar o meu próprio questionamento sobre o quanto sou capaz.

Por que eu duvidava tanto de mim?

Uma das maiores barreiras para sair da tal zona de conforto/desconforto é o medo de ser estar fazendo algo que parece “fácil” para você e parecer uma impostora, o medo de não ser qualificada para fazer o que você pretende, medo de acharem que você “se acha” por fazer aquilo. Esse medo paralisador do caralh* se chama: Síndrome do Impostor e ele atinge a mim, a 70% dos profissionais bem sucedidos no mundo, na sua maioria mulheres (segundo Gail Matthews e Valerie Young) e a muitas pessoas que pararam suas vidas por causa desse medo.

Eu sei que por fora eu pareço confiante, determinada, dominando os assuntos que abordo, mas, por dentro, eu me derreto em insegurança, corroída por medo e dúvidas sobre as minhas reais capacidades. Passo o tempo todo me perguntando quem eu sou para estar onde estou, para ter o que tenho, para ser ouvida ou respeitada, buscando alternativas de boicote constantemente.

O que eu poderia ter a dizer que alguém iria querer ouvir?

O bom disso (se é que tem) é que eu descobri, nessas minhas pesquisas da vida, que eu não estou sozinha mesmo. Emma Watson, Kate Winslet, Natalie Portman também já viveram (e vivem) com a síndrome.

Em 2013, Emma Watson (a nossa eterna Hermione) declarou a uma revista: “Parece que quanto melhor eu me saio, maior é o meu sentimento de inadequação, porque penso que em algum momento, alguém vai descobrir que eu sou uma fraude e que eu não mereço nada do que conquistei”.
Natalie Portman, em seu discurso de Harvard, descreveu a auto-dúvida que experimentou como uma estudante de Harvard: “Eu senti como se tivesse havido algum erro, que eu não era inteligente o suficiente para estar aqui e que cada vez que eu abria minha boca eu teria que provar que eu não era apenas uma atriz muda”
Já Kate Winslet comentou sobre a sua vida como atriz: “Eu acordava de manhã, antes de ir para uma gravação e pensava: não posso fazer isso. Eu sou uma fraude”

Nós, vítimas dessa síndrome, acreditamos que não importa o que tenhamos feito ou realizado, não é crédito da nossa inteligência, competência ou habilidade. É sorte ou a grande networking ou, até mesmo alguma mágica…

Tá, e agora o que a gente pode fazer para mudar?

#1 A Natalie Portman deu uma dica bem legal no discurso de Harvard: “Reconhecer os benefícios de ser nova no ambiente . Você pode não perceber, mas há grandes benefícios por ser novo em seu campo. Quando você não está mergulhado na sabedoria convencional de uma determinada profissão, você pode fazer perguntas que não foram feitas antes ou abordar problemas de maneiras que outros não pensaram.”

#2 Segunda dica importante: NÃO SE COMPARE COM NINGUÉM. Cada um tem a sua história, seus privilégios, suas escolhas e suas prioridades. Não é por que sua amiga é a rainha da Inglaterra que você precisa ser e só vai ser feliz se for também (até por que esse exemplo é bem nonsense, mas vocês entenderam).

#3 E já que sou a louca das listas, outra boa dica é listar tudo!
Quantas coisas boas você já fez por você e pelos outros?
Quantas lições você aprendeu com os seus erros?
Quantos elogios você já recebeu pelo seu trabalho, projeto, ideia, ajuda?
Quais habilidades você valoriza em você mesmo?

Por fim, sem mais delongas, buscar se conhecer mais, entender seus medos, inseguranças, suas habilidades, ler bastante e se desafiar. Por que, no fim da soma, o desafio de se descobrir e conhecer como a gente realmente é, para amar cada pedacinho falho ou lindo da gente vale a pena!

Leituras interessantes sobre o assunto:

  1. The Secret Thoughts of Successful Women: Why Capable People Suffer from the Impostor Syndrome and How to Thrive in Spite of It, Valerie Young
  2. Reach, Andy Molinsky
  3. 17 dicas úteis para lidar com a Síndrome do Impostor, Buzzfeed
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