Bolsonaro quer fim do Ministério do Trabalho:

Quem não lembra do “o trabalhador vai ter que decidir se quer menos direitos e emprego ou todos os direitos e desemprego”? Pois é. Hoje, as elites escravocratas aplaudem de pé a proposta de extinção do Ministério do Trabalho feita por Bolsonaro — que copia muito bem o modelo argentino de Macri. Um dano irreparável na história dos trabalhadores/as brasileiros.

Infelizmente, o anuncio de extinção do Ministério do Trabalho (criado a 88 anos) vinha acompanhado, desde há algum tempo, também da ameaça de extinção da Justiça do Trabalho. O golpista Ives Gandra Filho, assumiu no pós-golpe de 2016 a presidência do TST (Tribunal Superior do Trabalho), e tudo isto foi ficando cada vez mais evidente. Era, talvez, questão de tempo. Ives Gandra, vez ou outra, aparecia na imprensa dando declarações de apoio a medida de extinção ou flexibilização desses órgãos (ele já ameaçou várias vezes, principalmente na época da votação das reformas trabalhista e da terceirização que a Justiça do Trabalho poderia ser extinta, caso as reformas não passassem).

No Congresso, com os políticos golpistas e conservadores (90% da classe política brasileira também atua no ramo empresarial ou vem dele), na grande imprensa, com personalidades, “especialistas” e intelectuais neoliberais prestando sua “credibilidade” para endossar pautas conservadoras, fizeram com que se tornassem frequentes os discursos e falas que defendiam o fim da Justiça do Trabalho — é a típica construção do consenso neoliberal, feito a todo momento e a todo instante. Todas essas narrativas e ambiente político empobrecido, pavimentaram e prepararam terreno para o grande ataque aos direitos trabalhistas (iniciados ainda nos governos petistas com Dilma em 2015), coroados com a Reforma Trabalhista e Lei das Terceirizações.

Bolsonaro, profundamente influenciado pelos empresários da FIESP/FIRJAN, como um bom lacaio que busca atender o desejo das transnacionais que anseiam abrir suas plantas industriais em países com fraca ou nenhuma lei trabalhista, dos escravocratas do agronegócio e dos advogados elitistas que elaboraram as reformas trabalhistas e da terceirização nos escritórios privados de advocacia, vem cumprir o seu papel de enterrar de vez todas as atribuições de um Estado protetor, que vise minimamente promover a seguridade social, anunciando a extinção do Ministério do Trabalho, ou, o eliminando suas atribuições, tornando-o um “puxadinho” de qualquer outra pasta, o que apenas resultará na fragilização ainda maior do lado mais fraco, o lado do trabalhador.

Caso se confirme, será mais um golpe duríssimo no que diz respeito a proteção dos trabalhadores/as e fiscalização de irregularidades contratuais e das condições de trabalho neste miserável país. Toda maldade e castigo parece pouco. Não tenhamos dúvidas de que no horizonte, estarão também a extinção da Justiça do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho (MPT).

Bolsonaro, muito mais radical que Temer, é por excelência o governo das elites feito para as elites. Não tenham medo de se tornar uma Venezuela socialista, pois na verdade, estamos nos tornando apenas uma Argentina na economia, um México na violência urbana e uma Filipinas no autoritarismo e irracionalidade política.