Carolina
Carolina
Jul 25, 2017 · 2 min read

Concordo com você, Taís!

Como alguém que sofre de depressão, eu me conscientizei que de que não posso sobrecarregar ou culpar os que estão ao meu redor pelas minhas paranoias; cada um tem a sua. E, por isso, entendo que não estão disponíveis para oferecerem ajuda ou serem empáticas o tempo todo — tipo quando um amigo fura o rolê e ninguém manda mensagem para saber o motivo.

Mas confesso que já fiz desabafos desse tipo em situações pontuais como quando tentei me suicidar e não recebi a visita de nenhum amigo ou familiar no hospital — exceto de uma amiga mais próxima que foi quem me socorreu e ficou ao meu lado.

Há algumas semanas eu conversava com um amigo que também sofre de depressão e estava em desespero pois, procurou a família para que o ajudassem, e ouviu que era para parar de fazer esse terrorismo.

Um outro amigo se matou com um tiro na boca na mesma noite em que estava em um churrasco com outras pessoas e, no meio de uma crise, pediu que o ajudassem, mas ouviu que era para esperar pela manhã seguinte. Afinal, ninguém queria pausar aquele momento pra isso.

Se alguém não tem a iniciativa de oferecer ajuda, é verdade, não se trata de falta de empatia; muitas vezes as pessoas nem sabem como fazer isso, estão sem tempo ou disposição para fazê-lo e não há nada de errado com isso. No entanto, existem situações em que buscamos por auxilio (em acontecimentos pontuais como, por exemplo, em uma crise) de pessoas especificas que são mais próximas, não encontramos e — quando morre um famoso — estes são os primeiros a postarem no Facebook “Meus Deus, vamos falar sobre depressão. Que triste isso!”.

Atualmente eu falo pouco sobre a minha doença, não busco ajuda em ninguém que não seja um médico qualificado pra isso e me considero a única responsável por aprender a lidar com a depressão. Mas eu aprendi isso com o tempo, a duras penas.

Torço que pra que essas pessoas também encontrem esse caminho. E para que todos nós tenhamos condições de nos ajudar em situações pontuais e extremas.

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    Carolina

    Não sou escritora. Escrevo pra tentar manter a minha mente sã.