Enquadrados, enfim. Todos nós.

Uma coisa que me chamou a atenção, me saltou os olhos, gritou na minha cara, dançou macarena nos meus sentidos foi o número de convidados do Festival Internacional de Quadrinhos de BH deste ano, popularmente conhecido como FIQ 2015. Se contei certo, são 110.

O número de convidados do FIQ é maior que o número de pessoas no primeiro evento que organizei em Vitória, no Espírito Santo, em 1999.

Feira Experimental de Quadrinhos, UFES 1999.

Mas o mais interessante nesse pequeno exército que o FIQ chamou para fazer parte de sua programação é a variedade vertiginosa de estilos, traços, idades, etnias e gêneros. A cada anúncio, uma vibração de um grupo de cinquenta, de cem ou mais de mil pessoas. A divulgação de cada carinha nova (às vezes de diversas formas literais, como nova de ser pouco conhecida pela maioria ou por ser nova de idade), um grupo era alcançado. Cinquenta, quinhentos, cada post tinha seu alcance, dependendo da popularidade de cada convidado ou da crítica mordaz de quem comentava.

“O FIQ está pegando os independentes numa atitude meio hispter.” (Não sei até agora como definir um hipster)

“O FIQ não trouxe ninguém para juntar o grande público.”

“O FIQ está raspando o tacho.”

Será que essas pessoas repararam que o evento de 2015 é o mais inclusivo de sua história?

O autor homenageado é o Cedraz, falecido em 2014, um nordestino (segundo homenageado em oito edições do evento), e entre seus 110 convidados, consigo identificar:

Com idades variando de 20 a 80, o que temos são 12 negros, incluindo eu, seis pessoas de descendência asiática (tem uma definição, como “afrodescentes”? Amigos, me ajudem), 82 brancos aparentemente brancos. Digo aparentemente porque mesmo que a pessoa tenha antepassados negros, a sua classificação gira em torno das características físicas predominantes, como o tipo de cabelo, traços do rosto, tom de pele.

Temos o que me parece a maior participação feminina no FIQ, 36 mulheres. A curadoria de Ana Luiza Koehler, na companhia de grupos como o Ladys Comics e Minas Nerds certamente foi essencial para que fosse jogado uma luz na produção feminina brasileira.

Talvez no que seja uma atitude inédita num evento de grande porte, o FIQ também contará com a presença de um artista com Asperger, uma forma atenuada de autismo, definindo o evento como um dos mais inclusivos já feitos no Brasil desde o seu primeiro contato com o público, que é gratuito.

O evento vem com uma proposta diferente: Ao invés de atrair o público com os grandes nomes, ele convida o leitor velho e o leitor em formação a conhecer fazer parte da história, sendo apresentado a novos nomes, artistas e roteiristas empenhados em viver de quadrinhos.

O leitor é convidado a ver os grandes nomes surgirem. O FIQ reparte essa responsabilidade com o público levando uma variedade de artistas.

Pequenos batalhadores são tirados de suas localidades, suas cidades minúsculas que não os dão suporte para crescer ou de seu espaço espremido num grande centro e colocados sob o calorento teto da Serraria Souza Pinto para brilhar, ser fã de alguém enquanto se torna fã também.

O FIQ pega cada um, antes preso em seu quadrado, em sua batalha pessoal, seja pelo pão de cada dia, pela divulgação da ideia, pelo hobby, pela luta por representatividade e põe junto, num espaço, como uma grande página de quadrinhos. E o que sai disso tudo?

Histórias. Muitas histórias. Vamos fazer parte da história mais um ano, gente?

Apareça lá!

Eu estarei por lá, com a minha editora, a Aquário Editorial, dividindo um estande com a Marsupial Editora. Conheça nossos trabalhos :)

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