Top 5 do Bebum — Raul Seixas

Na minha infância passada em bairros populares classe C, D e E, onde hoje reinam as pequenas igrejas evangélicas existiam os botecos com todo o tipo de bebidas e de cachaceiros.

Minha cabeça dava um nó com aquelas garrafas com folhas, tocos de madeira e até caranguejo!

Mas uma coisa que nunca mudava era o bebum ao lado do menos bêbado com o violão. E Raul Seixas.

Raul era regra em todos os bares, seja com ao vivo ou na velha fita K-7, acompanhada em coro pelos bebuns. Por isso resolvi fazer um Top 5 do Bebum com músicas do Raul Seixas. O critério de escolha é o quanto o bebum consegue acompanhar da música sem se embolar.

Confira aí:

5 — Eu também vou reclamar

O bebum sai atrasado, mas consegue cantar só o começo:

“Mas é que se agora, pra fazer sucesso, pra vender disco de protesto, todo mundo teeeem que reclamar….”

E acabou a participação do bebum na música. A partir daí são gemidos nos finais de cada verso, quase sempre atrapalhando o cantor.

4 —Ouro de Tolo

Apesar de ser mais difícil de que Ouro de Tolo, talvez pela popularidade da música, o bebum acerta um ou outro verso e canta majestosamente bem o refrão:

Eu é que não sento no trono de um apartamento com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a mooooorte chegar….
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais 
No cume calmo do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora de um disco voador

3 — Oi o trem

Nesta música o bebum erra o tempo do “Oi, oi o trem”, funcionando como uma segunda voz para o menos bebum do violão.

Ele confunde os versos, mas assim que ouve o bebum do violão, ele o acompanha e a música sai.

2 — Medo da Chuva

O bebum geralmente está no bar porque quer sair da rotina da casa, do casamento no qual se meteu, e por causa da temática da música, ele a sabe inteira.

Só erra no refrão, devido à emoção ou ao nível alcoólico que se encontra.

“Eu perdi o meu medo meu medo meu medo meu medo meu medo….”
“Aprendi o segredo segredo segredo segredo…”

Ele só para quando o do violão já está no final da música…

1 — Maluco Beleza

Esta música é unanimidade entre os bebuns, que se atrasam e atravessam um pouco no compasso, mas cantam de cabo a rabo!

Bônus para o refrão, que cantam mais alto, em plenos pulmões com a força que restam.

Bônus:

Eu nasci há dez mil anos atrás e Gitá.

Pelo tanto de coisa que Raul diz que vi e fez numa música e o que ele é na outra o bebum só consegue distinguir qual música é qual quando começam a cantar.

Metamorfose ambulante

O Bebum pode até conhecer a letra, mas não sabe se prefere ser, se vai desdizer, se é fácil chegar, se é estrela que se apagou, se odeia ou tem amor.

Ele vai na onda do violeiro e arrisca um falsete na hora de “ter aquela velha opinião formada sobre tuuuuudo….”

Propaganda: Povo, não sei se vocês sabem, mas eu escrevo, desenho, rebolo e tenho gêmeas e está difícil escrever, protestar e entreter. Então, quem puder ajudar minha esposa Ana Cristina Rodrigues, escritora, e eu, fazedor de graça e cutucador de ferida, é só participar do nosso Padrim:

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