Para Onde Foi Nossa Evolução?

Nosso futuro queima em chamas do passado.

Na música Túnel do Tempo, dos Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger diz que:

“Ano 2000 era o futuro há pouco tempo atrás/ Há uma luz no fim do túnel/ 
E não é um trem na contramão”

Sabe. Eu lembro um pouco de quando eu estava na escola. Naquele tempo eu já lia quadrinhos e assistia desenhos — claro. E sempre gostei (e ainda gosto) de temas que envolvem tecnologia, viajem pelo tempo, espaço, essas maluquices.

Alguns professores tentavam profetizar como seria nosso futuro. O que teríamos vinte, trinta anos à frente. Carros elétricos, energia renovável, comidas saudáveis, mais oportunidades e muitas outras coisas.

Informação ao alcance da mão também era citado. Havia muitos estudos, testes e protótipos. A internet gatinhava. Será mesmo que seríamos chipados e teríamos todas nossas informações em um simples aparelho? Imagina se acontece algo com você, um acidente. Então, a equipe de resgate iria apenas aproximar um aparelho e saber tudo sobre você, desde seu tipo sanguíneo, até se você já possui algum problema de saúde. Todo seu histórico hospitalar ali, na mão dos resgatistas. Sua família seria comunicada de imediato, e saberia até para onde iriam te levar. Se isso já existe, não tenho certeza. Mas anos atrás eu já lia sobre isso.

Esperava-se tanto o ano 2000, e ele veio. Alguns disseram que não passaríamos. E passamos por ele, chegamos em 2001, virada do milênio. Seria o caos, o fim, o início… Nossa, que confuso… E cá estamos. Nada aconteceu. Esse chip que citei, foi apenas um exemplo. Estamos em 2018, e o que realmente evoluiu? O que realmente temos das previsões do passado?

A Era da Informação é real, ela chegou. Mas o que essa era nos trouxe de benefício? É muita informação na palma da mão. Muita. Mas muita mesmo. De todos os tipos. Verdadeiras, falsas, confusas. Apesar de estarmos em 2018 parece que algo importante não evoluiu: nós.

Nós, pessoas, seres humanos. Por mais que dominamos a tecnologia, ou tentamos, parece que não evoluímos, ao contrário, estamos regredindo. Às vezes vejo aquele famoso (e tão simplista) desenho da evolução de Darwin ao contrário. Ao invés de ampliarmos nossos horizontes estamos cada vez mais nos fechando em ideias e ideais, muitos deles ultrapassados. Cometemos erros que já foram cometidos no passado. Não ligamos para nossa história, nosso passado e ainda ateamos fogo em tudo.

Chega a ser surpreendente como não aprendemos nada, como não evoluímos, como entramos em discussões bestas, inúteis, imbecis e não enxergamos o óbvio. Não enxergamos o que está aos nossos olhos. Vai ver que o motivo é que existe uma tela entre nossos olhos e o óbvio.

São suposições, teorias, achismos. Diretas e indiretas por redes sociais e aplicativos de mensagens. O contato está quase extinto. Um texto nem sempre mostra a verdade. Fenando Pessoa disse que o poeta é um fingidor, e será que nós também não podemos fingir? Um texto, uma imagem, um meme não mostra a face daquele que escreve ou posta. Um palhaço faz rir, mas ele pode estar triste.

Tudo aquilo que prevíamos, tudo aquilo que sonhávamos no passado está sendo jogado fora. Está sendo ignorado, jogado no lixo, queimado, destruído. Toda evolução esperada não chega, ao contrário, ela regride.

A mente é algo fantástico, notável. Mas é preciso exercitá-la. É como uma casa fechada há anos, com antigos móveis cobertos, sem a entrada de luz, sem a entrada de ar. Essa casa torna-se algo parado no tempo, coberto de poeira, por mais que os móveis sejam antigos, sem o cuidado adequado eles serão velhos e não servirão para mais nada. É preciso abrir as janelas, deixar entrar a luz do sol, deixar o ar caminhar pelos cômodos, arejar o ambiente. Se não fizer isso será apenas um móvel velho, inútil, parado no tempo e sujo.